Por ajuda, tripulantes são orientados a “inundar” a Casa Branca

Mais de 100 mil profissionais da aviação podem perder o emprego nos EUA

O fim da ajuda do governo norte-americano ao setor de aviação civil nos Estados Unidos, prevista para o fim de setembro, está motivando uma série de manifestações que podem se agravar nas próximas semanas. Diversas entidades que representam profissionais do setor planejam diferentes formas para pressionar legisladores a prorrogar o auxílio que evitou demissões em massa no segmento durante a pandemia.

No início da crise que paralisou a aviação mundial, o congresso norte-americano autorizou, em março, um pacote de ajuda que já transferiu cerca de US$ 25 bilhões para as companhias áreas que operam voos domésticos no país, com o objetivo de evitar demissões. Com fim do programa, as empresas projetam que aproximadamente 100.000 vagas devem ser encerradas nas próximas semanas, a menos que o legislativo do país aprove a prorrogação do auxílio. As informações são do site FlightGlobal.

Somente em outubro, primeiro mês sem a vigência do socorro financeiro, cerca de 10.500 pilotos e 25.600 comissários de bordo podem perder seus empregos, segundo dados das próprias companhias aéreas.

Somente as três maiores empresas aéreas do país, Delta Air Lines, United Airlines e American Airlines, podem dispensar juntas 5.400 pilotos e 23.000 comissários.

A American ameaça, no total de sua equipe, desligar até 40.000. A United informou na última quarta-feira, 2, que deve colocar seus 1.349 trabalhadores em Houston em licença não remunerada a partir de 1º de outubro, mas no total da empresa podem ser 16.000 pessoas, que podem ser reconvocadas assim que a demanda se recuperar.

A causa uniu legisladores dos partidos Republicano e Democrata. Um grupo de deputados e senadores quer prorrogar o benefício até março de 2021, mas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é contrário à media e se recusa a negociar. Neste cenário, a aprovação de qualquer tipo e ajuda ao setor segue indefinida.

Protestos

A perspectiva caótica está motivando uma série de iniciativas para tentar reverter a situação. O sindicato que representa os comissários de bordo da American Airlines pediu aos membros que “inundassem a Casa Branca” nesta semana com telefonemas e e-mails, exigindo que o governo voltasse à mesa de negociações com o Congresso sobre uma lei que conteria disposições cruciais de apoio à folha de pagamento.

Já a Associação de Sindicatos de Comissários de Voo reuniu, na manhã de terça-feira (1), dezenas de representantes em frente ao escritório do senador David Perdue, em Atlanta, para pressionar o parlamentar pela prorrogação do apoio às folhas de pagamento. Na quarta-feira (2), protestos coordenados foram realizados em Dallas, Filadélfia e na capital federal, Washington, DC.

E embora a demanda da aviação norte-americana tenha subido ligeiramente em relação às quedas recordes registradas em abril e maio, a pandemia ainda deve perdurar por meses e seus reflexos no setor continuam a fragilizar a economia das empresas, sempre no limite. A procura atual por voos continua insuficiente para dar suporte às companhias aéreas do tamanho que tinham antes da recessão. A maioria das operadoras já disse que sairá da crise até um terço menor do que entraram.

De acordo com Mateusz Maszczynsk, do site Paddle Your Own Kanoo, o número de passageiros está atualmente estagnado em cerca de 25% a 30% do total que voava antes da pandemia de COVID-19 e as fronteiras ao redor do mundo permanecem fechadas. As experiências ao redor do mundo de fronteiras, especialmente na Europa, tiveram resultados mistos e temores reais de uma segunda onda de contaminação.

Mesmo que uma vacina seja aprovada até o final deste ano, não há como dizer que a demanda se recuperará. Segundo Maszczynsk, analistas e líderes da indústria aeronáutica temem que a demanda não retorne aos níveis pré-pandêmicos até pelo menos 2024. Mesmo assim, as viagens de negócios podem ter mudado para sempre, com consequências definitivas para as companhias aéreas e trabalhadores da aviação.

Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

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