Por dentro do mundo das companhias aéreas religiosas

A aviação sempre tem sempre grandes surpresas reservadas até para quem já a acompanha por anos. Nesse artigo, faremos uma breve introdução às empresas aéreas com inclinações religiosas.

As companhias aéreas religiosas são aquelas que operam com inclinação a uma fé específica. Seja de persuasão cristã, muçulmana, judaica ou qualquer outra. O que as diferencia das demais são alguns elementos de serviço ou alimentação a bordo baseados na fé.

Embora essas companhias aéreas trabalhem com uma religião em particular, existem diferenças na maneira como as aplicam. Sendo umas mais rigorosas que as outras, aceitando apenas passageiros de uma determinada fé.

Judah 1, a linha aérea cristã

Quando se trata de companhias aéreas religiosas, existem poucas transportadoras que são exclusivas em suas operações.

Até junho deste ano, a primeira companhia aérea cristã do mundo, baseada no estado americano do Texas, a Judah 1 Airline deverá decolar oficialmente. A empresa, que ainda espera aprovação da FAA e do DOT, planeja realizar missões cristãs de todas as denominações com missionários ao redor do mundo. 

Membros e o avião da Judah 1

Com objetivo de levar médicos e ajuda humanitária a milhares de pessoas que aceitaram Jesus como seu Senhor e Salvador, a empresa prevê alcançar dois bilhões de pessoas que não conhecem a palavra. Sua campanha de marketing e slogan são voltados à fé: “Suas mãos, o amor de Deus e nossas asas”.

A Judah 1 airline, conta atualmente com um MD-83, mas espera receber quatro MD-80 e dois Boeing 767 até o final de 2020. Embora possa ser a primeira companhia aérea cristã, há outras que realizam operações sob uma doutrina baseada na fé. Vamos conhecê-las.

Fé Judaica

A israelense El Al é a companhia aérea que tem suas operações voltadas para os passageiros judeus e em seus voos, durante o serviço de bordo, são servidas apenas refeições Kosher, o tipo de alimentação que segue as regras descritas no Torá, o livro sagrado judaico. Outro ponto relevante, é a observância do Shabat, o dia sagrado, que é um dos fundamentos do judaísmo. 

Por exemplo, em 10 de janeiro de 2020, um voo da El Al foi desviado do seu destino devido a fumaça na cabine. Embora a questão não tenha causado maiores problemas ao voo em si, houve um atraso que obrigaria o avião a decolar na sexta à noite, em descumprimento ao Shabat. Como resultado, o voo não decolou, caso contrário, teria violado a lei judaica.

A El Al não busca apenas associar-se à fé, além disso, a empresa fornece ajuda humanitária aos necessitados, a serviço do governo israelense muitas vezes.

Em janeiro de 2019, um Boeing 777-200ER da aérea pousou em Confins com equipamento e pessoal de apoio para dar suporte à tragédia de Brumadinho. Em 1991, a companhia aérea foi fundamental na Operação Salomão, onde transportou mais de 1.000 judeus etíopes para Israel em um único Boeing 747-400.

Islã

Talvez o Islã seja a religão com o maior número de empresas aéreas diretamente alinhadas. Nos aviões de empresas árabes, como Emirates e Etihad, ou até mesmo da Turkish, uma bússola na tela do sistema de entretenimento de bordo indica o rumo de Mecca em tempo real, assim como o horário das rezas é disposto em uma outra tela.

Seguindo na mesma linha, companhias aéreas como Royal Brunei e Saudi Arabian são empresas voltada à fé islâmica e seguem um modelo de alimentação Halal. Apesar de haver exceções, a maioria de seus voos não servem bebidas alcoólicas ou carne de porco.

Já a Iran Air leva as crenças islâmicas mais além, e a empresa exige que as passageiras sigam o código de vestuário islâmico em seus voos domésticos, cobrindo completamente seu corpo e cabeça usando o “Hijab”.

Deveria haver companhias aéreas religiosas?

As companhias aéreas religiosas, agem com base em sua doutrina, mas, em sua maioria, são empáticas com os passageiros que não compartilham as mesmas opiniões.

O fato dessas companhias aéreas religiosas estarem certas ou erradas dependerá totalmente da percepção individual de cada um. O respeito pelos outros deve ser sempre o princípio fundamental em todas as companhias aéreas, religiosas ou não.

Independentemente, do que seja, o ser humano é individual e seja por religião, posição política, convicções pessoais, sempre haverá diferenças. E sempre será difícil ter o controle sobre os passageiros que tem uma visão extrema sobre qualquer assunto. Já reportamos aqui casos de passageiros que se recusaram a sentar-se com outros que supostamente eram contra suas convicções religiosas, votaram no presidente X ou torciam para o time Y.

Isso sempre acontecerá, é um princípio da convivência humana. O que as empresas aéreas precisam tentar garantir é que não haja a exclusão com base em qualquer princípio. Aos passageiros que embarcam em uma linha aérea religiosa, cabe exercitar seu respeito.

Luis Neves

É agente de turismo e acompanha a evolução da aviação brasileira desde o final da década de 80. Fotografa tudo o que voa e tem uma das maiores coleções de fotos de aviação do Brasil.