Por que a Airbus está esmagando a Boeing em entregas de novos aviões em 2020?

As maiores fabricantes do mundo travam um embate no campos dos pedidos por novas aeronaves há décadas. E essa rivalidade se estende pela constante busca por eficiência e o foco em tentar entregar mais aviões a cada ano. Acompanhar essa “corrida” sempre é interessante, pois inovações são uma constante, algumas delas de grande impacto para transformar a aviação como um todo.

Só que, com a parada global do Boeing 737 MAX em 2019 e a pandemia em 2020, essa máxima perdeu um pouco do brilho. Se de um lado são 384 MAX parados fábrica e pátios da empresa americana aguardando por sua liberação, por outro, a Covid ceifou milhares de pedidos até agora e outros milhares, se considerados os próximos dez anos.

Por conta disso, aquele acirrado número de entregas de um lado e de outro ficou para trás e hoje o mundo vê os sinais dos tempos, com a Airbus “esmagando” a Boeing em quantidade de entregas.

A vantagem de entrega da Airbus cresce

Historicamente, a demanda por aeronaves de fuselagem estreita (narrow body) é maior do que de aviões de fuselagem larga (widebodies), porque a demanda por viagens curtas e médias é muito maior. Acontece que a única família de narrow bodies da Boeing é o 737 MAX, que não pode voar (e nem ser entregue, por enquanto).

E isso tem dado uma vantagem imensa à Airbus. Observe o quadro comparativo abaixo, que mostra a quantidade de entregas no ano. São três vezes mais entregas da Airbus, ou 243 aviões a mais do que a Boeing apenas em 2020 até aqui.

Mas tudo ainda pode mudar no ano que vem. Se o 737 MAX for recertificado ainda este ano, a Boeing deverá impor um ritmo acelerado de entregas, pois muitas empresas precisam das aeronaves como forma de otimizar suas frotas com aeronaves mais econômicas, sobretudo num momento de grave crise.

E isso deve ajudar a americana a “limpar seu balanço”, reduzindo drasticamente o estoque e reconhecendo receitas que estão provisionadas, dependendo da entrega das aeronaves. Mas não será fácil, o caminho da Boeing à recuperação será longo.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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