Por que a Lufthansa vai “hibernar” neste inverno europeu?

O grupo Lufthansa, que reúne 550 subsidiárias e empresas associadas, enviou um memorando aos funcionários na semana passada em que informa que as companhias parceiras irão entrar em ‘modo de inverno’, de meados de dezembro até o final de fevereiro. A medida é mais uma consequência dos efeitos devastadores da pandemia de COVID-19 sobre a aviação europeia, que impacta umas companhias mais tradicionais do planeta.

O documento foi divulgado pelo fórum online FlyerTalk. Na prática, a hibernação significa a drástica redução das operações por pouco mais de dois meses, conforme já havia sido divulgado pela própria companhia.

De acordo com o informativo, a Lufthansa operará apenas 80 aeronaves no período. O número representa apenas 25% da capacidade regular de inverno, com tripulação mínima. O documento também informa que haverá uma transferência de mais quatro Airbus A350-900 da base de Munique para Frankfurt, para um maior uso dos aviões mais eficientes.

A Lufthansa já recebeu um resgate no valor de US$ 10 bilhões para manter as operações durante a pandemia. Este valor inclui fundos não utilizados dos pacotes de estabilização de 9 bilhões de euros vindos da Alemanha, Suíça, Áustria e Bélgica. Destes, 6,3 bilhões de euros ainda estão disponíveis.

Nos resultados financeiros divulgados em outubro, o grupo reportou um EBIT (ganhos antes de juros e impostos) no terceiro trimestre de -1,26 bilhão de euros (no ano anterior a empresa teve lucro de 1,3 bilhão). Após nove meses no ano, o prejuízo operacional foi de -4,2 bilhões de euros (no ano anterior houve lucro de 1,7 bi).

Além da companhia mãe, as subsidiárias também serão afetadas. Nos voos regionais, a SWISS voará apenas aeronaves Airbus A220 e A320neo, com toda a família de motores clássicos A320 estacionada. A Austrian fará voos regionais com Embraer ERJ-190 e a Eurowings vai operar menos de 30 aeronaves. No total, 125 aeronaves serão desativadas e colocadas à disposição como recursos sobressalentes em caso de contingência.

Também serão diminuidas as equipes de apoio em terra e áreas administrativas. O total de escritórios será reduzido em 30% e os demais funcionários terão a carga horária e os salários reduzidos, sem prazo de normalização. Todo o departamento de marketing, sediado em um prédio próximo ao Aeroporto de Frankfurt será fechado definitivamente e o espaço devolvido. A Eurowings também fechará todos os escritórios em Dusseldorf, sede da companhia.

O portal View From the Wing lembra que os casos da Covid-19 na Alemanha estão crescendo muito acima do que se viu na primavera, embora o número de mortes não acompanhe os novos registros. O país entra em um novo lockdown parcial nessa semana.

Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

Veja outras histórias