Por que o espaço aéreo de Israel fecha por 25 horas seguidas todos os anos?

Uma vez por ano, o espaço aéreo de Israel é fechado por 25 horas seguidas, é isso não tem nenhuma relação com medidas de segurança.

Espaço aéreo vazio em 8 e 9 de outubrmo

Quem tentou acompanhar o tráfego aéreo da Terra Santa pelo FlightRadar24 nos dias 8 e 9 de outubro, perdeu a viagem. Ao invés dos voos regulares traducionais e dos fretados com peregrinos, encontrou um espaço aéreo completamente vazio e um punhado de aviões contornando o território israelense pela fronteira com a Jordânia e o Egito.

Então, se não há guerra, alerta vermelho ou Armageddon em curso, por que ninguém entrou e ninguém saiu de Israel por 25 horas?

Décimo dia do sétimo mês do ano

O livro de Levítico que compõe o pentateuco para judeus e cristãos, e foi escrito por Moisés entre 1.500 a.C e 1.400 a.C. diz assim:

Lv. 16:29: “E isto vos será por estatuto perpétuo: no sétimo mês, aos dez do mês, afligireis as vossas almas, e nenhum trabalho fareis, nem o natural, nem o estrangeiro que peregrina entre vós”.

Pelo calendário judaico, que segue uma lógica diferente da nossa e guia-se pela lua, estamos no sétimo mês (“Tishrei”) do ano 5.780, e o décimo dia citado no livro bateu exatamente com o pôr do sol da última terça-feira e anoitecer na quarta-feira. Esse é o dia mais sagrado do judaismo, e se lhe é dado o nome de Yom Kippur.

O silêncio é total em Israel, inclusive na aviação

O desenrolar do Yom Kippur envolve uma grande preparação. Além de o tráfego aéreo de e para Israel ser fechado durante o período, as passagens da fronteira para Egito, Jordânia e Gaza são suspensas.

Pesquisas de opinião nos últimos anos mostram que a maioria dos judeus em Israel observa o Yom Kipur. Uma pesquisa conduzida pelo Bureau Central de Estatísticas concluiu que 26% dos judeus israelenses que se descrevem como “seculares” ou “não religiosos” observam o período de jejum e 24% deles vão às sinagogas. Várias organizações realizam orações em massa, destinadas a pessoas que não frequentam sinagogas regularmente, como parte de um costume desenvolvido nos últimos anos.

Um pouco mais sobre o começo de tudo

De acordo com a tradição judaica, as origens do Yom Kipur remontam da época de Moisés, depois que o povo de Israel fez seu êxodo do Egito. Quando eles chegaram ao Monte Sinai, Moisés recebeu os Dez Mandamentos de Deus. Quando Moisés desceu a montanha, encontrou o povo adorando um bezerro de ouro. Moisés destruiu as tábuas com raiva, mas o povo expiou seus pecados, então Deus os perdoou.

É um dia de jejum, arrependimento e adoração. Além de evitar comer e beber, os judeus observadores não tomam banho no feriado, não usam sapatos de couro ou joias de ouro e não se envolvem em intimidade conjugal. Os cultos durante o Yom Kipur são realizados continuamente durante o dia e incluem leituras da Torá e a recitação de orações expressando arrependimento ou pedindo perdão. Os serviços do Yom Kippur terminam com as orações finais e o toque do “shofar” ou trombeta, um instrumento musical ritual esculpido nos chifres de um carneiro.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.