Início Indústria Aeronáutica Por que alguns turboélices ATR têm esse estranho dispositivo no nariz?

Por que alguns turboélices ATR têm esse estranho dispositivo no nariz?

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Imagem: ATR

Para os mais familiarizados com a aviação e suas tecnologias, a resposta à pergunta do título desta matéria é obvia. Entretanto, para todos os demais que apenas admiram os aviões sem profundos conhecimentos, a imagem acima gera uma grande curiosidade, especialmente pelo fato de que os aviões turboélice da fabricante francesa ATR são bastante utilizados no Brasil e nenhum deles jamais foi visto com tal dispositivo.

Assim, para atender à curiosidade de todos os interessados, trazemos a seguir uma breve explicação sobre esse sistema que, por sinal, é bastante interessante.

Chamado pela ATR de ClearVision™, o sistema usa uma associação de tecnologias para exibir uma visão em tempo real em um visor montado na cabeça do piloto, melhorando significativamente a visão do piloto em condições de visibilidade limitada por fatores meteorológicos.

Veja no vídeo a seguir algumas imagens sobre o uso da tecnologia a bordo do ATR e, logo abaixo do vídeo, mais detalhes sobre o sistema.

Uma das tecnologias é simplesmente o chamado Skylens, o visor montado na cabeça do piloto, que fornece simbologia de orientação de voo e informações de destaque da pista.

O Skylens pode então ser combinado com um Sistema de Visão Sintética (Synthetic Vision System – SVS) que gera imagens de terreno e obstáculos a partir de informações de um banco de dados, ou com um Sistema de Visão Aprimorada (Enhanced Vision System – EVS) que exibe uma visão externa aumentada para o visor em tempo real, graças às câmeras e sensores instalados no nariz da aeronave.

Há ainda a opção final do Sistema de Visão Combinada (Combined Vision System – CVS), que fornece ao piloto o EVS e o SVS combinados por meio do Skylens.

Os testes finais do ClearVision™ foram feitos pela fabricante em 20 de junho de 2018, quando o protótipo do ATR voou para Guernsey, uma ilha entre a Grã-Bratanha e a França, para realizar operações em condições de baixa visibilidade.

Guernsey foi escolhido como local para esses testes por ser particularmente atormentado por neblina devido à sua localização geográfica no Canal da Mancha.

Pilotos da companhia aérea local de Guernsey, a Aurigny Air Services, também participaram dos testes porque a empresa estava interessada em como o sistema poderia beneficiar suas operações. Um estudo mostrou que no espaço de um ano, o ClearVision™ poderia ter salvado 24 dos 48 pousos que a Aurigny perdeu por condições adversas de meteorologia.

Isso naturalmente teria um impacto significativo nos custos que a companhia aérea enfrentava em decorrência da interrupção de suas operações, por atrasos, desvios ou cancelamentos. No ano passado, a companhia aérea gastou até $ 1 milhão de libras, principalmente em hotéis para acomodar passageiros redirecionados, como consequência de pousos proibidos relacionados ao nevoeiro.

Depois da aprovação operacional da tecnologia, a ATR e a Aurigny confirmam em janeiro de 2019 a aquisição de três aeronaves ATR 72-600, todos os três equipados com o novo ClearVision™ Enhanced Vision System (EVS), tornando a Aurigny o cliente lançador da tecnologia nos famosos turboélices franceses.

Por que não no Brasil?

Como se nota pelo decorrer das informações acima, a instalação da tecnologia nos aviões ATR fez sentido para a Aurigny por conta de seus altos prejuízos em decorrência das condições adversas das operações na ilha Guernsey.

Assim, para companhias aéreas que experimentam poucos cancelamentos de voos por condições meteorológicas, a utilização do equipamento não gera economia financeira suficiente para compensar o custo da instalação.

Não apenas no Brasil, mas para a maior parte das companhias aéreas do mundo o ClearVision™ não é viável em termos de custo-benefício.

Com informações da ATR

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