Por uma barganha, você compra este 747 VIP e vive como um emir do petróleo

A sala do trono a bordo

Um exemplar incrivelmente bem cuidado de uma das aeronaves mais amadas do mundo, o Boeing 747, está à venda. E este não é um jovem de meia idade qualquer. Ele serviu por duas décadas como peça central da aviação real do Catar e seu interior reflete esse legado único e extravagante. Seu anúncio na web conclama aos potenciais compradores que enviem suas ofertas para o luxuoso jato de 37 anos, mas no auge da forma física, com uma decoração opulenta, repleta de dourado e azul.

A aeronave foi comprada da United Airlines em 1995, onde operou no transporte de passageiros desde 1979. Por anos, a aeronave real foi vista em aeroportos de todo mundo, embora com mais frequência em Zurique e Paris, ostentando sua pintura incomum e o emblema do Catar com duas espadas cruzadas, um “dhow” (veleiro) e uma palmeira.

O VP-BAT em foto recente feita no Canadá

Transformação num jato VIP

O interior da aeronave é um cenário para um rei – literalmente: foi usado pelos emires reinantes do Catar, principalmente o Sheik Khalifa Bin Hamad Al Thani. O interior do avião é revestido de couro azul, a melhor madeira e, é claro, ouro. 

Ao todo, o enxuto 747 está equipado para transportar 85 passageiros em suas várias salas de estado, salões de jantar, escritórios, espaços de reunião e, sim, numa sala do trono. Existem também 12 assentos de primeira classe, 18 assentos de classe executiva e 31 assentos de “classe turística”. Estima-se que foram gastos US$ 75 milhões para decorá-lo, isso em 1997.

As fotos impressionam e o anúncio online enaltece as virtudes do jato. Fala de um banheiro espaçoso com acabamento folheado a ouro e azul; destaca-se uma grande sala de jantar principal, com cadeiras dispostas em torno de uma mesa comprida e pinturas de homens armados montando camelos nas paredes, uma escada em espiral cromada embutida para levar os viajantes ao andar superior do avião, onde se podem encontrar assentos confortáveis ​​de uma classe executiva.

Diz ainda que a aeronave está sendo vendida com dois motores reserva, quatro pneus sobressalentes, wi-fi instalado e aparelhos de DVD individuais.

Uma outra coisa interessante é que o VP-BAT, como é matriculado o avião, ganhou seu próprio site na internet, que pode ser acessado por https://vp-bat.com/. Só falta um Insta!

Cuidado meticuloso

Os agentes que vendem o avião dizem que a aeronave foi “meticulosamente mantida” e que comprá-la seria uma “oportunidade única”, já que jatos VIP como esses raramente chegam ao mercado. Nenhum preço está listado no anúncio e, devido ao seu interior incomum e às horas de voo relativamente baixas para sua idade, é difícil estimar o valor do VP-BAT.

No fim de 2018, a aeronave foi adquirida por uma empresa de gestão de ativos canadense e levada até o aeroporto de Hamilton, onde está até hoje, já sem logos ou títulos na fuselagem. Segundo o atual dono, a CSDS Aircraft Sales and Leasing, a aeronave tem 68.730 horas de voo e 10.330 ciclos.

No entanto, este jato não é barato na bomba de gasolina. Para completar, 50.360 galões de combustível de aviação custarão cerca de US$ 200.000. Para os antigos proprietários, isso pode não ter sido um problema, pois eles administravam um importante país exportador de petróleo e gás natural. 

Mas, segundo os padrões atuais, o motor JT9Ds não é exatamente um jato que economiza combustível. Até o massivo C-5 Galaxy da USAF, com seu derivado militar do mesmo motor, o TF39, passou por um processo de reengenharia (programa C-5M) para economizar combustível e aumentar a confiabilidade.

Por esses dias, foram feitos testes de motor e ele prepara-se para ir aos Estados Unidos onde passará por um cheque completo e será repintado, conforme divulgou o BenAirplanes no Tweet abaixo:

Quanto custa?

Quanto é esse maravilhoso 747SP? Faça uma oferta! Dizem que por US$9 milhões ele é seu.

Mas, para efeito de comparação, esse Boeing 747-400 abaixo, que pertenceu à Força Aérea Japonesa, está listado em US$ 28 milhões, além de ser 12 anos mais novo e (muito) menos rodado. A diferença é que ele está vazio por dentro.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.