Início Aeroportos Por que vazou combustível do Boeing 747 que está em Fortaleza?

Por que vazou combustível do Boeing 747 que está em Fortaleza?

Apesar das imagens impressionantes, não foi um caso de emergência

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Um vídeo viralizou na tarde hoje, ao mostrar grande quantidade de combustível “vazando” da asa do Boeing 747 que foi até Fortaleza para levar equipamentos médicos vindos da China.

As imagens do vídeo que você viu no início desta matéria chegam a assustar por ser uma grande quantidade de combustível, e até um caminhão dos bombeiros aparece nas imagens. Segundo testemunhas oculares, houve “vazamento” de ambas as asas.

Mas o que aconteceu é mais comum do que se imagina e tem uma explicação. E está no excesso de combustível, e não numa futura falta dele por ter sido perdido.

O Boeing 747-400, que é o modelo em específico que foi para Fortaleza no último sábado, possui um sistema que praticamente qualquer avião do mundo possui: o Fuel Vent System.

O termo em português é conhecido como “Suspiro” ou “Dreno”. Este sistema previne que se ultrapasse o limite máximo de combustível dentro do tanque, bem como evita que a pressão interna do tanque se eleve demais por conta de um aumento de volume do líquido.

No caso de Fortaleza, o que provavelmente aconteceu, mas não está ainda confirmado, é que o avião foi abastecido “até a tampa” de um dos tanques, ou seja, passando do limite máximo interno do tanque, ou que estava próximo disso e uma dilatação do fluido por variação de temperatura fez o volume aumentar até atingir o dreno.

Aí é que entra em ação o sistema citado acima, que drena para fora da aeronave o combustível em excesso para evitar danos estruturais por pressão alta no tanque e garantir que não há mais combustível do que o máximo.

O vazamento pode também ocorrer quando o volume está dentro do limite, porém algum movimento lateral da aeronave faz o fluido atingir o nível do dreno. Porém, este caso se restringe ao momento em que a aeronave já está em deslocamento pelo aeroporto, como foi possível de ver no vídeo de um Boeing 747 da Western Global rejeitando a decolagem em Amsterdã cerca de um mês atrás (clique aqui para conferir).

Quando acontecem vazamentos como o de hoje, a equipe de solo deve acionar a autoridade aeroportuária para fazer a contenção do combustível vazado, evitando que afete pessoas e que prejudique o meio-ambiente.

No Brasil, até onde se sabe, não existe uma equipe especializada para a contenção da chamada “Oil Spill“, que é a poça de combustível formada no solo. Mas é algo bastante presente no exterior, como você pode ver no vídeo abaixo, em que aconteceu o mesmo caso com outro Boeing 747 em Sydney, na Austrália, e os bombeiros nem foram acionados:

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