Início Acidentes e Incidentes Pouso emergencial de Caravan em Jundiaí com motor apagado foi gravado

Pouso emergencial de Caravan em Jundiaí com motor apagado foi gravado

Imagens inéditas de um grave incidente de perda de motor em voo foram divulgadas neste sábado, 29 de maio, mostrando que foi registrado em vídeo o momento em que a aeronave de voos regionais Cessna Caravan efetuou a aproximação e o pouso emergencial totalmente sem potência, terminando fora da pista ao final do procedimento.

Veja a seguir a gravação e, logo abaixo, todos os detalhes sobre essa ocorrência.

O vídeo acima foi divulgado neste sábado pelo canal do YouTube “Aeroporto de Jundiaí“, que registra e publica frequentemente as operações que ocorrem no Aeroporto Estadual Comandante Rolim Adolfo Amaro, de códigos SBJD e QDV, na cidade de Jundiaí (SP).

Este pouso de emergência ocorreu no dia 18 de outubro de 2019, após o Cessna C208 Caravan enfrentar a perda de motor em voo. Felizmente a pane se apresentou quando a aeronave já estava nos arredores do aeroporto de destino, permitindo a chegada planada até a pista e o pouso seguro.

Testemunhas

Segundo disseram ao AEROIN pessoas que presenciaram a ocorrência naquele final de tarde de sexta-feira, tudo corria normalmente durante a chegada do turboélice ao circuito de tráfego de Jundiaí, porém, quando na perna do vento (direção de voo paralela à pista antes da curva para alinhar para o pouso), o piloto declarou emergência ao controlador de voo da torre do aeroporto, reportando perda de motor.

Diante do aviso, o controlador perguntou se a situação era um treinamento de emergência simulada, visto que tal procedimento é bastante comum naquele aeroporto durante instruções de voo em aulas de pilotagem.

As testemunhas relataram que o piloto do Caravan respondeu que não, reforçando se tratar de uma emergência real com perda de motor. O controlador então acionou imediatamente o alerta de emergência do aeroporto (é possível ouvir a sirene durante o vídeo) e as equipes de apoio rapidamente se colocaram em prontidão.

É possível notar pelo vídeo que a aeronave já era aguardada em seu pouso, o que mostra a eficiência da resposta do aeroporto, administrado pela VOA-SP, no curto espaço de tempo desde o acionamento do alerta até a chegada ao solo.

Após o toque na pista, que ocorreu bastante além do ponto ideal de toque em decorrência da situação crítica da emergência, nota-se que o piloto aplica freios com vigor para buscar a parada antes do final do pavimento, e ainda luta para manter o controle do Caravan diante do estouro dos pneus.

A aeronave chega a sair para a grama na lateral esquerda da pista, porém, já em baixa velocidade, para de se movimentar em segurança após um “cavalo de pau”, que pode ter sido feito propositalmente pelo piloto com o objetivo de não ultrapassar o final do terreno.

Investigação

A ocorrência foi registrada no sistema do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) como um “Incidente Grave” e encontra-se com status de investigação “Em andamento” até a presente data de publicação desta matéria.

Segundo o registro, a aeronave de matrícula PT-OGH possuía a bordo dois tripulantes e um passageiro, e o incidente, classificado como “Falha de Motor em Voo”, ocorreu às 20h15 UTC (17h15 no horário local de Jundiaí). A título de curiosidade, é interessante notar no vídeo o barulho de aeronave ao passar em frente à câmera, permitindo perceber que parte do som emitido em voo se deve à turbulência gerada ao passar pelo ar, e não somente à hélice e ao motor.

O CENIPA assim descreve o histórico do incidente:

“A aeronave decolou do aeródromo Bauru Arealva (SBAE), Bauru, SP, com destino ao aeródromo Comandante Rolim Adolfo Amaro (SBJD), Jundiaí, SP, a fim de realizar voo de formação operacional de tripulantes, com dois pilotos e um passageiro a bordo.

Em aproximação, na perna do vento, ocorreu vibração e perda de potência. O piloto embandeirou a hélice e realizou um pouso de emergência na pista 36 de SBJD.

“Durante o pouso, houve o estouro dos dois pneus das rodas do trem de pouso principal e a aeronave ultrapassou o limite posterior da pista, saindo pela cabeceira oposta por cerca de 10 metros.

A aeronave sofreu danos leves. Os dois tripulantes e o passageiro saíram ilesos.”

Nota: “embandeirar a hélice” significa modificar o ângulo das pás da hélice para que elas fiquem paralelas à direção de voo e assim gerem menos arrasto, melhorando o desempenho de planeio da aeronave.

Após a coleta de informações para a investigação, o CENIPA classificou a aeronave como “liberada no tocante à investigação”, e dados históricos das plataformas de rastreamento de radar mostram que após manutenção o Cessna Caravan retornou ao serviço e efetuou dezenas de voos sem novas intercorrências até fevereiro deste ano de 2021.

Fora de operação

Atualmente, no entanto, o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) indica que o PT-OGH está com seu Certificado de Aeronavegabilidade suspenso devido a “Situação técnica irregular”, porém, não há maiores detalhes, não sendo possível saber o motivo da atual suspensão de voos. Possivelmente, não há relação com o incidente de 2019 em virtude do longo período de voos já executados desde então.

Seu último voo foi do Aeroporto de Confins (MG) para o Aeroporto de Jundiaí em 3 de março de 2021. Os registros da plataforma RadarBox a seguir mostram mais alguns voos anteriores à parada recente da aeronave.

Registros recentes de voo do PT-OGH – Imagem: RadarBox

Como a investigação continua em andamento, não é possível saber as causas que podem ter levado à grave perda de potência em voo em 2019. O Cessna C208 Caravan é mundialmente reconhecido por sua segurança e confiabilidade, assim como também o é seu consagrado motor modelo PT-6 da Pratt&Whitney Canada, amplamente utilizado em uma enorme gama de turboélices dos mais diversos fabricantes. Portanto, é bastante curiosa a pane apresentada no voo da ocorrência.

Acompanhe no vídeo a seguir um piloto efetuando um treinamento de perda de motor, também em um Cessna Caravan, em uma situação muito semelhante à que foi enfrentada na emergência de Jundiaí. Embora na simulação o motor continue em funcionamento, o piloto tira totalmente a potência, levando o avião até a pista como se ele estivesse com o motor apagado:

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