Prefeito que mandou fechar a pista do aeroporto com carros da Guarda Municipal é condenado

Foto: Prefeitura de Maricá

O ex-prefeito de Maricá, Washington Siqueira (PT), conhecido como Quaquá, foi condenado pela justiça do Rio de Janeiro a 3 anos e 2 meses de prisão em regime aberto por usar veículos oficiais para impedir pousos na pista do aeroporto municipal. Segundo a decisão, ainda em Primeira Instância, o político foi responsabilizado por fechar a pista e ter colaborado com um acidente aéreo.

Segundo matéria do G1, a fatalidade em questão aconteceu em 21 de outubro de 2013, quando um avião de pequeno porte caiu na Lagoa de Maricá, matando o instrutor de voo Adelmo Louzada de Souza e o seu aluno Carlos Alfredo Flores da Cunha. Os ocupantes da aeronave teriam arremetido após ver que havia viaturas da Guarda Municipal ocupando a pista, ao final da manobra, o avião caiu na lagoa.

Reportagens da época mostram vídeos das viaturas nas imediações da pista. As denúncias, no entanto, vão além da decisão de fechar o aeroporto a revelia da sociedade. Algumas delas apontavam ao fato de que, se os pilotos insistissem num pouso em Maricá, poderiam ter suas aeronaves alvejadas por balas. Tal situação extrema, no entanto, não chegou a ocorrer.

Ao G1, o ex-prefeito Washington Quaquá enviou a seguinte nota:

“Recebo com indignação mas com tranquilidade a decisão da primeira instância sobre o aeroporto de Maricá, que absurdamente me condenou a 3 anos em regime aberto. Tenho certeza que as instâncias superiores farão justiça e anularão tal decisão. Antes de meu governo o Aeroporto de Maricá era controlado por traficantes. Foi com coragem e destemor que expulsei os traficantes e devolvi o aeroporto para a cidade e para as atividades lícitas.

No curso do processo, forças poderosas e ricas, que movimentavam ilicitamente milhões no aeroporto, tentaram me calar e reverter minha decisão. Aproveitaram a fatalidade da morte de um juiz em um treinamento em avião sem condições de voo, para tentar me atingir, me processando e buscando uma prisão. Os laudos da aeronáutica, certificados pelos seus radares, foram cabais em demonstrar que o avião do juiz não só ‘nunca tentou se aproximar do aeroporto de Maricá’, como se desintegrou no ar porque já estava há 900 horas sem manutenção, que o deveria fazê-la a cada 100; e que possuía parafusos incompatíveis com a fuselagem.

Todas as testemunhas de acusação eram usuários e usufruíram do ‘esquema’ do aeroporto. Nenhuma delas se sustenta e nenhum avião foi impedido de pousar, nem de decolar. Confio que as instâncias superiores vão reparar essa injustiça e fazer com que a democracia brasileira possa confiar no seu imprescindível sistema judiciário, tão desacreditado hoje em dia por decisões de claro cunho político e partidário“.

CENIPA

O relatório do CENIPA, por sua vez, ressalta que havia pendências de manutenção da aeronave e que ela foi liberada para voo sem cumprir com todos os requisitos de aeronavegabilidade, vindo a resultar numa trinca do cubo da hélice esquerda. Não fica claro se força aplicada na arremetida sacramentou o destino da aeronave (mas não deveria, numa situação normal).

Também não há uma conclusão no CENIPA sobre o eventual bloqueio da pista por viaturas. No entanto, o órgão diz que emitiu um documento, no dia 06NOV2013, à SAC-PR, alertando o Órgão quanto ao descumprimento de normas do Convênio de Delegação 09/2012, firmado entre a União e a Prefeitura Municipal de Maricá para que este fosse novamente analisado, com o objetivo de verificar se os deveres e obrigações do Delegatário estavam sendo observados, principalmente quanto à segurança das operações no aeródromo.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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