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Em território rival: por falta de combustível, Boeing 787 tem que pousar na fábrica da Airbus

Em um voo inusitado que evitou o Paraguai, um Boeing 787 Dreamliner da Air France acabou pousando no ninho da sua rival: a fábrica da Airbus. Mas isso não estava nos planos.

Boeing 787 pousa em Tolouse. No fundo é possível ver as instalações da Airbus e um A350 da SAS. © FrenchPainter

O Boeing 787-9 de matrícula F-HRBE havia decolado de Santiago do Chile às 23h37 locais como AF403, tendo como destino Paris. Era para ser um voo comum, como acontece todos os dias, mas, pouco antes de entrar no espaço aéreo do Paraguai, ele iniciou uma curva para a direita e prolongou-a até completar 270º.

Não que o voo não pudesse sobrevoar o país vizinho do Brasil, mas o desvio foi motivado pela necessidade de evitar uma grande formação de nuvens. E isso contribuiu para que o voo gastasse mais combustível do que o planejado.

Abaixo, você vê à esquerda a rota feita pelo voo AF403 no dia 21 e, à direita, a rota que é feita regularmente. Na imagem de baixo, a captura do satélite fornecida pelo REDEMET da Força Aérea Brasileira mostra uma grande formação de nuvens abaixo do círculo branco, onde a aeronave iniciou o desvio. Um paredão.

A foto de satélite foi tirada 10 minutos antes do início da curva do 787. Com esse desvio, o voo percorreu uma distância maior, aumentando a duração da viagem em 1 hora e 30 minutos.

Com isso, além de fortes ventos contrários ao longo de toda a rota, o consumo de combustível foi maior que o esperado e a aeronave precisou alternar (desviar para outro destino) para Toulouse, no sul da França, na região dos Pirineus.

É a primeira ocasião em que o atual best-seller da Boeing visita o “ninho” da rival em Toulouse, onde fica a principal fábrica da Airbus, e onde são produzidos os concorrentes diretos do Dreamliner, os A330neo e A350XWB.

Por outro lado, é comum a visita dos Airbus no ninho da Boeing, o aeroporto de Everett-Paine Field, que conta com uma grande empresa de manutenção e que inclui também serviços de pintura de aeronaves. As empresas aéreas locais, como American Airlines, Alaska Airlines e a Hawaiian, utilizam o serviço de manutenção do aeroporto, e já enviaram seus Airbus para lá.

A “ironia” maior é que o 787 Dreamliner que visitou Toulouse é de uma companhia aérea francesa, país acionista da Airbus. Mas essa cena, além de improvável atualmente, deverá tornar-se impossível no futuro, já que a Air France irá trocar aeronaves com a irmã KLM, onde os 787 vão todos para a Holanda e a francesa receberá mais A350 do grupo.

Após alternar para Toulouse, o 787 da Air France foi reabastecido e finalmente chegou em Paris, com apenas 2 horas de atraso.

Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A
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