Com privatização, TACV quer seguir modelo da Copa e criar um hub no Atlântico

Este ano tem sido um grande ano para a Transportes Aéreos Cabo Verde (TACV). A empresa da ilha lusófona é agora administrada pela Icelandair, da Islândia, e está em um processo de privatização. Os novos gestores e o governo esperam criar um novo hub em Cabo Verde conectando Europa, África e Américas.




“Cabo Verde sempre foi uma conexão entre a África, Américas e Europa, e agora queremos levar mais valor para nossa posição geo-estratégica e geo-econômica”, disse o primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, em entrevista ao portal RunwayGirlNetwork.

A TACV é uma companhia que irá completar 60 anos em 2018, mas nunca conseguiu se estabelecer como uma grande aérea. Até meses atrás operava apenas com um Boeing 757-200 após a retirada dos 737-800 e o fim das operações no mercado doméstico. Este mercado agora é atendido pela Binter CV, subsidiária da espanhola Binter Canárias.

Em setembro deste ano a Icelandair chegou em um acordo com o governo cabo-verdense para assumir a gestão da empresa, que será vendida no próximo ano, sendo que a própria Icelandair terá prioridade na compra e o governo irá manter ações minoritárias.

Atualmente a TACV só opera para três destinos nas Américas: Fortaleza e Recife no Brasil e Providence no estado americano de Rhode Island, lar de uma grande comunidade cabo-verdense. A expansão prevê novas rotas principalmente para o Brasil, América do Norte, Europa e África.

A frota será expandida de três aeronaves 757 para 10 até o final do próximo ano. Atualmente dois dos três 757 da TACV foram repassados recentemente pela Icelandair. O aeroporto base será o da Ilha do Sal, que conta com pista maior em relação ao aeroporto de Praia.

A idéia é criar um hub no estilo “hub and spoke” similar ao que a Icelandair faz em Keflavík-Reykjavík e que a Copa faz na Cidade do Panamá. Este conceito serviu bem para ambas as companhias, que respectivamente levam passageiros da Europa para o Canadá e EUA, e da América do Sul para a América do Norte e Caribe. Os voos fazem apenas uma escala e são operados com aeronaves menores (e com menor custo).

Pode parecer uma desvantagem para o passageiro, mas este custo reduzido reflete num preço de passagem menor, e é atrativo para passageiros que moram fora das capitais. Exemplo: com a Copa é possível ir de Belo Horizonte a Cancún com apenas uma escala rápida; a outra maneira mais direta seria indo para Guarulhos e pegando um voo direto para Cidade do México, e de lá para Cancún, que resulta em mais conexões e o preço normalmente é mais alto.

Alguns dos novos destinos já planejados são Salvador e Natal no Brasil; Milão e Porto na Europa; e na África para as cidades de Lagos e Abidjã.  A expansão da TACV permitiria por exemplo ir de Salvador a Roterdã com apenas uma parada. Ou Paris – Natal sem precisar da escala em São Paulo, que é totalmente “fora de mão”.

A tarifa Stopover está nos planos da TACV. O modelo que já é adotado pela  Alitalia, Emirates, KLM e TAP permite aos passageiros em conexão passarem alguns dias no país natal da companhia aérea na ida ou volta da sua viagem, e sem custo adicional!

Com informações do portal Runway Girl Network

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos