Problema na asa do Boeing 787 exige inspeção ao pousar em neve, gelo ou lama

A Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) está exigindo que as companhias aéreas tomem medidas para evitar um problema potencialmente perigoso nas asas dos Boeing 787, que poderia afetar a aeronave quando operando no inverno.

Avião Boeing 787

A diretiva de aeronavegabilidade (AD) de número 2019-20-07, tornada pública na última sexta-feira 11 de outubro, exige que as companhias aéreas instruam os pilotos a não recolherem os slats (superfície móvel na parte frontal das asas) dos 787 após o pouso em condições que envolvam neve, gelo ou lama.

As instruções também obrigam as companhias aéreas a inspecionarem os slats e os flaps (superfície móvel na parte traseira das asas) externos após cada aterrissagem do 787 executada em tais condições.

“A Boeing descobriu que o funcionamento do slat do 787 poderia ser afetado pelo gelo durante a operação de inverno”, afirmou a Boeing em comunicado.

A Boeing abordou a questão em um boletim de serviço em julho e agora está “desenvolvendo um atuador e/ou alteração de sensor para os operadores identificarem e corrigirem o problema”, diz o documento.

“Além disso, a Boeing está fornecendo instruções para a inspeção anual da integridade do sistema de flaps/slats, enfatizando novamente os procedimentos existentes associados às operações de inverno e procedimentos de manutenção adicionais para uma verificação operacional das superfícies”, acrescenta.

Avião Boeing 787 Air Europa

A AD da FAA entra em vigor imediatamente, embora aceite comentários dos operadores até 25 de novembro. A AD se aplica a todos os modelos da família Dreamliner: 787-8, 787-9 e 787-10.

A agência emitiu a ordem em resposta a relatos de que cinco atuadores de slats dos 787 falharam quando as aeronaves estavam taxiando, fazendo com que as superfícies ficassem em uma posição diferente daquela comandada pelos pilotos.

“Essa condição, se não for tratada, pode resultar em sustentação insuficiente, resultando na incapacidade de manter continuamente o voo e a aterrissagem seguros”, diz a AD da FAA.

Depois de pousar na neve ou no gelo, os técnicos de solo das companhia aérea devem retrair os flaps/slats somente depois de inspecioná-los para garantir que não sejam obstruídos por gelo, neve ou lama.

Dois técnicos devem testar as superfícies – um movendo a alavanca de controle na cabine e o outro confirmando a posição na asa.

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.