Processo de certificação da ASAS Linhas Aéreas avança na ANAC

Imagem: ASAS (fotomontagem / divulgação)

Após um período sem movimentações, o processo de certificação da ASAS Linhas Aéreas junto à ANAC ganhou um impulso no último mês, com a submissão de diversos documentos e manuais para a avaliação da agência reguladora, informou ao AEROIN uma fonte próxima da empresa aérea.

A empresa, que busca um Certificado de Operador Aéreo (COA) sob a regulamentação do RBAC 121 para realizar voos cargueiros, também publicou algumas atualizações em seu site (www.voeasas.com), onde provê algumas informações adicionais sobre os seus objetivos.

A maior parte das informações já havia sido antecipada pelos executivos da empresa em entrevistas anteriores. A ideia era iniciar operações em março desse ano, mas os planos foram alterados e uma nova data ainda não foi divulgada. Abaixo, segue um resumo do que sabemos até aqui.

Frota

A empresa optou por começar a voar com um Boeing 727-200F. O primeiro jato, de matrícula PR-IOC, está em Curitiba e passa por manutenção há alguns meses, sob responsabilidade da equipe da DIGEX MRO. A aeronave esteve parado por alguns anos, desde que deixou de voar pela Rio Linhas Aéreas e, portanto, demanda uma manutenção pesada antes de voltar a voar.

A ASAS em 2020 após análise detalhada do seu plano de negócios e dos modelos disponíveis no mercado para transporte de carga, decidiu-se pela compra do Boeing 727, que demonstrou o mais viável em termos de valores de aquisição e condições para o início de operação com carga aérea. Esse modelo de aeronave consagrado através dos anos, se demonstrou extremamente confiável e adequado as condições do Brasil e principalmente é propriedade da empresa. Este equipamento tem boas características como operação em pistas curtas e com carga de por volta de 27 toneladas máximas”, diz a empresa.

Quando a manutenção estiver concluída e a aeronave disponível para inspeção da ANAC, o Certificado de Aeronavegabilidade deverá ser renovado (atualmente, o CA está suspenso).

Além desse Boeing 727, os planos da empresa incluem a chegada de mais duas aeronaves até o final do ano, segundo uma entrevista concedida no começo desse ano. A origem dos aviões, no entanto, não foi divulgada.

Rotas

Sobre as rotas, os executivos comentaram que as aeronaves devem ser alocadas em voos cargueiros em regiões mal atendidas ou com demanda reprimida do Brasil, embora detalhes dessas ligações não tenham sido dados. Outro plano da companhia é entrar no filão da Rede Postal Noturna (RPN) dos Correios, atualmente atendida por Total Linhas Aéreas e Sideral.

Como supracitado, ainda não há uma data publicamente divulgada de início dos serviços.

O nome e as cores

Ao ser questionado do porquê de iniciar uma empresa aérea nesse momento, Menezes disse ser uma pessoa apaixonada por aviação e que sempre teve o objetivo de capitanear um projeto de uma empresa aérea. Quando a oportunidade apareceu, ele a abraçou. Por sua vez, a origem do nome Asas faz alusão a “liberdade”, “voo”, “prazer de estar no ar”.

Uma curiosidade do processo de definição do nome, revelada por Menezes, é que uma das primeiras etapas do processo na ANAC requer a submissão de três ou quatro nomes para que a agência pesquise no banco de dados e verifique se nunca foi usado antes. Menezes confessa que torceu muito para que sua primeira opção, o nome Asas, não tivesse sido usado ainda. Uma torcida que deu certo.

A origem

No site da empresa, há um texto que conta um pouco de sua origem. Ele diz:

A ASAS Linhas Aéreas está sendo formada através do sonho do Sr. Orlando Menezes Silva, em ter uma empresa aérea genuinamente Brasileira com serviços de excelência. Com mais de trinta anos de experiência no mercado de aviação comercial, atuando como funcionário da Varig na área de carga aérea, empresário em diversos ramos da economia. o Sr. Orlando sempre teve como foco pessoal na sua paixão pela aviação comercial. Isso vem sendo aplicado hoje na fundação da ASAS Linhas Aéreas.

Em 2020 a ASAS como carinhosamente é chamada foi então estabelecida em São Paulo capital, onde localiza-se sua sede e na base principal em São José dos Campos-SP, iniciando-se assim o sonho de seu fundador em tornar a companhia operacional para o mercado Brasileiro. Conforme sua visão, o Sr. Orlando conseguiu formar um time de larga experiência com pilotos e técnicos que muitas vezes tem mais de trinta anos de mercado, com passagens por diversas companhias nacionais como Varig, Vasp, Transbrasil, TAM, EMBRAER, entre outros. Formando como ele mesmo cita, a espinha dorsal para que uma empresa seja robusta e bem consolidada, para enfrentar seus desafios em tempos pandêmicos.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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