Professor desafia alunos em exame final: trazer um Boeing 727 de volta à ativa

Final de ano e, principalmente, final de semestre é uma época de grande correria na vida de qualquer aluno universitário, com diversas provas e trabalhos para serem entregues. Seria apenas uma época estressante se o seu professor não lhe fizesse um desafio: ligar um Boeing 727 que não voa há 6 anos e faze-lô taxiar. Não era apenas um desafio, e sim a prova final da matéria!




A semana de prova, conhecida como finals nos Estados Unidos, é de grande expectativa para os alunos. Na Western Michigan University, em Kalamazoo – Michigan, não é diferente. Os refeitórios ficam abertos até mais tarde e ficam cheios de alunos que estudam enquanto fazem suas refeições, e até energéticos são distribuídos de graça para dar aquele suporte extra.

Ter uma boa nota nos EUA não é apenas provar conhecimento, e sim estar mais próximo de um emprego. Os melhores estágios são apenas para alunos com GPA acima de 3.0 (equivalente a 80%). E para desafiar os seus alunos e garantir que estão prontos para o mercado, o professor do curso Tecnologia em Manutenção de Aeronaves, Dr. Ray, aplicou seu exame final de maneira inusitada: fazer o 727 da universidade voltar à ativa.

Monomotores, bimotores e trimotores…

O Boeing 727-200F da Western Michigan foi doado pela FedEx com a ajuda da Organização de Profissionais Aeroespaciais Negros (OBAP). A aeronave chegou voando no aeroporto da universidade em Battle Creek, Michigan, em setembro de 2011. Desde então tem servido como uma verdadeira sala de aula dos alunos dos cursos de Manutenção e Ciências Aeronáuticas. O 727 de matrícula N258FE e batizado de Lacey acionou seus motores pela última vez em 2013, durante testes de táxi conduzidos pelo reitor da Faculdade de Aviação conforme vídeo promocional abaixo.

Desde então, o 727 fabricado em 1975 e que já foi da Air Canada, nunca mais acionou os motores, sendo feito apenas testes no seu sistema elétrico como parte das aulas. De lá pra cá a aeronave enfrentou quatro fortes invernos com neve de mais de 40cm de altura. Foi quando a universidade viu que o maior ícone da frota (e atualmente o maior avião pertencente à uma instituição educacional no mundo) não poderia ficar parado de novo.

Então os alunos se juntaram e colocaram em prática o que aprenderam durante os anos na universidade, leram os manuais, pegaram as antigas cadernetas de manutenção, fizeram testes e ligaram o avião.

E no último dia 5 de dezembro se juntaram ao reitor Dave Powell, ex-piloto da USAF de A-10 Thunderbolt II e A-7 Corsair II, que comandou a aeronave pelo Aeroporto W. K. Kellogg (nome em homenagem ao fundador da marca de cereais homônima). O trijato taxiou de maneira singular no pátio, mostrando a robustez única do Boeing 727.

Reitor e alunos posam para foto após a prova. © WMU Aviation

Aprovados, os alunos tiraram foto com o reitor, e agora terão mais uma história para contar e um destaque para colocar no currículo. Lacey está com certificado de voo suspenso, mas não há dúvidas que está em plenas condições de voo e que não tem medo da neve.

© Western Michigan University

© Gary R. Becker Jr.

Não é a primeira vez que a Western Michigan ostenta o titúlo de possuir a maior aeronave em uma academia de aviação. Em 2000 a Northwest Airlines (hoje Delta Airlines) doou um Boeing 747-100 para a universidade, sendo a única no mundo a ter um widebody como parte da sua frota. A aeronave foi desmantelada em 2004. Outra curiosidade da universidade é que foi a única a receber um Concorde e treinar os cadetes da British Airways para pilotar o jato supersônico:

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos