Qantas está infiltrada por organizações criminosas, dizem autoridades

Autoridades australianas acreditam que a Qantas está infiltrada por grupos do crime organizado para facilitar a importação de drogas e outras atividades que representam um risco para a segurança nacional, revelou uma operação secreta de inteligência batizada de Projeto Brunello.

O Sydney Morning Herald abordou o assunto dizendo que até 150 funcionários da empresa aérea estão ligados à criminalidade. A operação descreve suspeitas de irregularidades graves e que representam uma grande ameaça para a Austrália. Em um exemplo disso, fontes disseram ao jornal que o relatório menciona um gerente da empresa aérea no aeroporto de Sydney diretamente ligado ao chefe do cartel internacional de drogas Hakan Ayik, e que essa pessoa teria contratado outros criminosos para a companhia aérea.

O chefe de segurança do Grupo Qantas, Luke Bramah, disse que considera essas alegações perturbadoras. “Não fomos informados de nenhuma investigação sobre funcionários do Grupo Qantas envolvidos com o crime organizado. Se houver preocupações em relação a qualquer um de nossos funcionários, apoiaremos ativamente sua investigação e tomaremos as medidas adequadas”.

O porta-voz ainda disse que a empresa possui um credenciamento de Trusted Trader com a Australian Border Force, “o que significa que cada funcionário envolvido no frete aéreo internacional deve passar por um teste. Não fomos informados pela Força de Fronteira de que nenhum de nossos funcionários foi reprovado”.

Ainda assim, o Projeto Brunello descobriu que alguns funcionários estavam criando vulnerabilidades na segurança dos processos a fim de permitir a entrada dos entorpecentes. Os detalhes da operação ainda não foram revelados ao público em razão da confidencialidade da investigação.

O que se sabe no momento é que os departamentos da Qantas com maior risco eram a divisão de carga e as divisões de equipe de solo e manuseio de bagagem. Nessas equipes, as autoridades encontraram 60 funcionários ligados a crimes envolvendo drogas e outros tipos de contrabando. Sete funcionários estavam vinculados à exploração infantil, incluindo um acusado no ano passado de posse e fabricação de pornografia.

O Sr. Bramah, disse que a companhia aérea tem sido forte defensora da introdução de novas tecnologias e verificações dos seus funcionários. “Além das verificações criminais que acontecem a cada dois anos, gostaríamos de ver verificações de antecedentes em tempo real, o que significa que as companhias aéreas e aeroportos sabem imediatamente se um funcionário foi condenado por um crime, porque é outra salvaguarda”, disse ele. “Tivemos conversas positivas com o governo sobre isso ao longo dos anos.”

Outras páginas dessa história devem começar ser reveladas na medida em que as autoridades abram as informações para a imprensa e o público.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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