Qantas terá voos ultra-longos com mais de 19h e 40 pessoas, para testar o corpo humano

A australiana Qantas segue firme no seu Projeto Sunrise, e agora fará voos de mais de 19 horas para apenas testar os efeitos de voos ultra-longos nas tripulações e passageiros.

O Projeto Sunrise da Qantas tem como objetivo principal operar voos regulares e diretos da costa leste australiana (saindo de Brisbane, Sydney e Melbourne) para Londres e Nova Iorque. O Rio de Janeiro também está na lista mas não é a prioridade inicial da empresa. Tratam-se de voos muito longos, com 19h, 20h e até 21h de duração.

Para tornar isso possível, já que nenhuma aeronave comercial atual tem tamanha capacidade, a empresa desafiou a Airbus e a Boeing a oferecerem um novo modelo que tornem viáveis estas rotas, seja no quesito técnico de alcance como capacidade mínima de passageiros, a fim de deixar o voo rentável.

Enquanto a Airbus trabalha no A350-1000ULR e a Boeing no 777X para atender esta demanda, a Qantas já quer começar a testar os efeitos destes futuros voos nas pessoas a bordo.

Comandante Lisa Norman será umas das tripulantes nos três voos ultra longos

Para isso serão utilizados três Boeings 787-9 Dreamliners novos de fábrica, que terão seu voo de entrega ajustado. Partindo de Seattle, na costa oeste americana, as aeronaves irão para Londres e Nova Iorque; de lá partirão para Sydney com apenas 40 pessoas a bordo, incluindo clientes e tripulação. Com essa redução de peso será possível realizar estes voos sem escalas, que devem durar pouco mais de 19 horas.

Atualmente, o voo comercial mais longo do mundo é da Singapore Airlines ligando Nova Iorque (Newark) à Cingapura, é efetuado com o Airbus A350-900ULR e dura 18 horas e meia. O voo da Singapore opera com apenas 160 assentos, embora a capacidade total de um A350-900 seja para mais de 300, tudo para ganhar performance.

Será a primeira vez que um voo direto irá ligar Nova Iorque e Sydney, e a segunda de um voo direto entre Londres e Sydney: a primeira foi com um Boeing 747-400, mas sem clientes. Os três voos de agora devem bater o recorde como voos comerciais de maior duração da história.

Pesquisa séria

Não serão apenas voos de testes para ver até quando o corpo humano suporta. A pesquisa a bordo será feita pelo Centro Charles Perkins, da Universidade de Sydney, e pela Monash University.

Comandante Lisa e o CEO da Qantas, Alan Joyce, na cabine do Boeing 787-9 Dreamliner

Todos a bordo irão ser equipados com dispositivos para medir diversos parâmetros do corpo. Cientistas e especialistas médicos do Charles Perkins irão monitorar padrões de sono, consumo de bebida e comida, reação a luz, movimentos físicos e entreterimento a bordo, para analisar o impacto na saúde, relógio corporal e bem estar.

Já os pesquisadores da Monash University irão trabalhar com os pilotos monitorando níveis de melatonina, fazendo exames de eletroencefalografia para entender os padrões de atividade do cérebro e nível de alerta dos tripulantes. O objetivo é estabelecer dados para ajudar a construir uma escala de trabalho e descanso otimizada para os pilotos.

Pela Assessoria de Imprensa da Qantas

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos