Qantas realiza neste momento o último voo de seu Boeing 747 a partir dos EUA

A lista cada vez menor de companhias aéreas que voam Boeing 747 para os Estados Unidos está perdendo mais uma integrante nessa quarta-feira, 04 de dezembro de 2019.

Flight Radar 24 Qantas Último Voo 747 Estados Unidos
Último voo da Qantas com Boeing 747 saindo dos EUA – Imagem: FlightRadar24

A Qantas está neste momento voando seu último serviço com o clássico Jumbo à partir dos EUA, com o voo número QF74 de San Francisco para Sydney.

A partir de agora, todos os serviços da Qantas entre a Austrália e os EUA serão operados com o Boeing 787-9 ou o Airbus A380. A rota diária de São Francisco para Sydney e a rota de quatro voos por semana para Melbourne já são percorridas com o 787.

A porta-voz da Qantas, Annabelle Cottee, disse em um e-mail que a companhia aérea planejou “uma pequena celebração no aeroporto de São Francisco com broches comemorativos dados aos passageiros e imagens históricas nas telas ao redor do portão de desembarque”.

Os entusiastas da aviação estão marcando a ocasião com mensagens nostálgicas nas mídias sociais. Cottee disse que alguns deles compraram o voo QF74 apenas para voar no serviço final.

Nova geração

Avião Boeing 787 Qantas 100
Boeing 787 da Qantas

O 787 que está assumindo a rota é um avião muito menor (e mais econômico em termos de combustível) do que o 747, levando apenas 236 passageiros em comparação com os 364 do Jumbo. Mas apesar de menos assentos, eles são sem dúvida melhores, especialmente na classe executiva.

A classe de negócios do 747 reflete sua idade: no andar inferior, muitos assentos não oferecem acesso direto ao corredor, como é o padrão nas aeronaves mais recentes, pois possui assentos duplos nas laterais e triplos no meio.

No andar superior, as coisas melhoram sem os assentos triplos do meio, mas o layout ainda é de 2-2, fazendo com que o cliente da janela fique sem acesso direto ao corredor.

O 787 possui classe executiva com acesso de todos os assentos aos corredores, em um layout 1-2-1. É verdade que não há deck superior para dar uma sensação de exclusividade aconchegante e silenciosa, mas a experiência do passageiro é melhor no 787 por conta de todos os recursos de última geração.

O 747 ainda luta na Qantas

Avião Boeing 747 Qantas
Boeing 747-400 da Qantas

O último dos Jumbos movidos a motores Rolls-Royce na Qantas foi aposentado em outubro e se transformou em uma plataforma de teste para a fabricante de motores.

Mas a companhia aérea tem mais seis, todos equipados com motores da General Electric. Eles continuarão voando em rotas de longo curso até o final de 2020. Depois disso, a lista cada vez menor de 747 operadores diminuirá perderá a empresa australiana.

O voo de hoje também marca o fim de uma era em que os 747 eram os únicos aviões capazes de atravessar o Pacífico sem paradas. Hoje em dia, muitos outros jatos podem fazer isso, graças aos motores avançados que consomem muito menos combustível.

Antes do surgimento do 747-400 em 1989, os voos da Qantas sem escalas da Austrália à Califórnia costumavam ser feitos com uma versão especial do 747: o 747SP. Mais curtos do que o normal e construídos para ir mais longe – daí o apelido de SP, para “Performance Especial” em inglês – era uma visão inconfundível e o avião comercial de maior alcance desde meados da década de 1970 até a chegada do 747-400.

Naquele momento, eram os voos mais longos sem escalas do mundo, percorrendo em torno de 12.000 km, enquanto hoje a própria Qantas busca a aeronave capaz de percorrer de forma lucrativa os mais de 17.000 km das rotas de seu “Projeto Sunrise”.

A aeronave que hoje faz a despedida dos voos transpacíficos é o 747-438ER de matrícula VH-OEE, e pousa em Sydney por volta das 15:45 (horário de Brasília. Até lá, você pode acompanhar em tempo real no radar clicando aqui.

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.