Qantas recebe o avião que baterá, esse mês, o recorde de voo mais longo do mundo

Foto: Qantas

Há menos de um mês, o mundo testemunhou um momento memorável, quando a empresa aérea australiana Qantas realizou um voo de mais de 19 horas ligando Nova Iorque a Sydney sem escalas, num teste de viabilidade para os futuros voos ultra-longos, denominado pela empresa de Projeto Sunrise.

Junto com o teste veio o recorde de voo comercial de passageiros mais longo do mundo, o qual será batido novamente em 14 de novembro. É verdade que, em meados do ano, a empresa já havia divulgado a possibilidade de realização de um segundo voo, mas ele ainda dependia do sucesso do primeiro.

E essa confirmação veio rápido. Logo após o pouso do primeiro voo do Sunrise, o empolgado CEO da Qantas, Allan Joyce, confirmou de imediato a realização de um trajeto ainda mais longo, ligando Londres a Sydney, numa jornada de cerca de 20 horas e 20 minutos pelos céus, o qual está previsto para novembro.

O avião do recorde chegou

Na última quinta-feira, 7 de novembro, a empresa finalmente recebeu a aeronave que será responsável por entrar para a história (de novo) com o voo mais longo do mundo. Como parte do projeto e, ao mesmo tempo, em comemoração dos 100 anos da empresa, o Boeing 787-9 Dreamliner de matrícula VH-ZNJ foi batizado de Longreach (“Longo Alcance”), igual aos jumbos Boeings 747 da australiana, que estão sendo aposentados.

Além do nome batismal e do destaque principal ao número “100” em letras garrafais na parte dianteira da fuselagem com o clássico Canguru dentro do último zero, esta pintura conta com todas as logos da história da companhia aérea, que foi fundada em 1920. Usar a aeronave no voo mais longo do mundo foi uma tacada de mestre da Qantas para promover a marca.

Algo curioso de se comentar é que, apesar de o Boeing 787-9 estar sendo usado nos voos de testes do Projeto Sunrise, ele não tem capacidade de operar esses voos no futuro (os voos de testes são feitos com limite de passageiros e carga). Nos voos ultra-longos que a Qantas espera fazer a partir de 2023, outra aeronave – que ainda não existe – deve ser utilizada.

Era dos voos ultra-longos

O Projeto Sunrise da Qantas tem como objetivo principal testar a viabilidade para a operação de voos regulares ultra-longos e diretos da costa leste australiana (saindo de Brisbane, Sydney e Melbourne) para Londres e Nova Iorque. O Rio de Janeiro também está na lista mas não é a prioridade inicial da empresa. Tratam-se de voos muito longos, com 19h, 20h e até 21h de duração.

Para tornar isso possível, já que nenhuma aeronave comercial atual tem tamanha capacidade, a empresa desafiou a Airbus e a Boeing a oferecerem um novo modelo que tornem viáveis estas rotas, seja no quesito técnico de alcance como capacidade mínima de passageiros, a fim de deixar o voo rentável.

Enquanto a Airbus trabalha no A350-1000ULR e a Boeing no 777X para atender esta demanda, a Qantas já quer começar a testar os efeitos destes futuros voos nas pessoas a bordo. A decisão da Qantas pelo modelo a ser usado nesses voos ultra-longos está prevista para esse ano.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.

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