Qantas rejeita ofertas da Airbus e da Boeing: “não terei problema em dizer que tentamos mas não funcionou”

Após a mudança de planos ao atrasar a escolha da aeronave do Projeto Sunrise de 2019 para 2020, a Qantas mostrou hoje o motivo de ter abandonado a expectativa de decisão até o fim desse ano.

Avião Boeing 787 Qantas

Segundo o The Sydney Morning Herald, a companhia australiana rejeitou as propostas da Airbus e da Boeing para as novas aeronaves que possam voar sem escalas de Sydney e Melbourne para Nova York e Londres, dizendo que as fabricantes precisam diminuir os preços para fazer com que os negócios sejam viáveis.

A companhia aérea havia dito que tomaria uma decisão até o final deste ano sobre o lançamento ou não dos chamados voos “Project Sunrise”, provavelmente comprando o Boeing 777-8 ou o Airbus A350-100ULR para operar as rotas comerciais diretas mais longas do mundo.

“Esta aeronave estará na frota pelos próximos 20 anos”

A Airbus e a Boeing apresentaram suas “melhores e finais ofertas” de seus aviões à Qantas em agosto. Mas a Qantas disse nessa terça-feira, 19 de novembro, que enviou de volta as propostas aos gigantes aeroespaciais de Toulouse e Chicago, para que reconsiderem essas ofertas.

“Pedimos que eles voltassem a olhar para isso, porque ainda havia uma lacuna entre o que precisamos e o que eles ofereceram”, disse Tino La Spina, executivo-chefe da Qantas International, em uma entrevista para investidores em Sydney hoje. “Portanto, estamos aguardando ansiosamente o que receberemos com isso”.

La Spina disse que a Qantas pediu aos fabricantes que não apenas considerassem o preço, mas também garantias e condições para lidar com cenários futuros.

“Esta aeronave estará na frota pelos próximos 20 anos e queremos cobrir eventualidades … garantindo que seja à prova de futuro”, disse ele.

A Qantas falou sobre a operação das missões “Sunrise” a partir de 2023. No entanto, os atrasos na produção do programa 777X da Boeing, que ainda ão levantou voo, podem atrasar isso.

Muitas variáveis no complexo quebra-cabeças

Obter o preço certo em novas aeronaves é apenas uma peça do quebra-cabeça para viabilizar as novas rotas de longo curso. A companhia aérea diz que também precisa de pilotos que concordem com um salário que permita “melhorias de produtividade” de cerca de 30%, que estão atualmente em negociação.

O chefe da Qantas, Alan Joyce, disse que, com base na cobertura da mídia de dois “voos de pesquisa” de Nova York e Londres usando o Boeing 787, há uma “grande demanda” pelos novos serviços, e espera que a companhia aérea possa exigir um preço 30% maior que outras companhias aéreas por oferecer um serviço sem escalas nas rotas.

O recente anúncio da Air New Zealand de que voaria de Auckland para Nova York também fortaleceu o argumento comercial da Qantas, porque a companhia aérea australiana precisa manter uma vantagem competitiva nessa rota.

Cancelar o projeto não seria um problema

No entanto, Joyce disse que não tem medo de colocar a ideia na geladeira se alguma das partes envolvidas não colaborar, passando a investir as centenas de milhões de dólares que gastaria nos novos aviões para expandir outras partes do negócio.

“Temos que obter o prêmio de nossos clientes … temos que chegar à posição em que os fabricantes deem sua contribuição, temos que colocar a regulamentação ao nosso lado e colocar os pilotos ao nosso lado”, disse Joyce. “Não terei problema … em dizer ‘fizemos uma boa tentativa, mas não funcionou'”.

Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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