Qatar Airways cancela voos à China por um motivo diferente das outras empresas

Nos últimos dias, temos visto inúmeras companhias aéreas cancelando voos para a China. Normalmente, elas explicam que suas decisões são baseadas na segurança de suas tripulações e/ou devido a uma enorme redução na demanda. Mas a Qatar Airways explicou de uma maneira diferente.

Em um comunicado à imprensa no último final de semana, a Qatar Airways informou que está suspendendo todos os voos para a China continental a partir de 3 de fevereiro de 2020 e até novo aviso. Isso os torna os primeiros dos principais transportadores do Golfo a tomar essa decisão.

Uma lógica interessante e curiosa

Enquanto a decisão, como tal, faz todo o sentido, o interessante é a lógica que eles estão usando para essa decisão. Segundo a Qatar Airways, ela até está cancelando voos “devido a desafios operacionais significativos causados ​​por restrições de entrada impostas por vários países”.

Lembremo-nos que um número crescente de países colocou restrições que impedem a entrada de pessoas que visitaram a China recentemente (geralmente em até 14 dias), o que representa um problema para a Qatar Airways. Isso porque essa restrição inclui as tripulações que viajaram recentemente para a China, portanto impediria a companhia aérea de agendar equipes em determinadas rotas, limitando sua capacidade de manter operações em vários outros lugares.

Para onde a Qatar voa

A companhia aérea está revisando as operações de maneira recorrente, com a intenção de restaurar os voos assim que as restrições forem retiradas pelos países. Atualmente, a Qatar Airways voa para meia dúzia de destinos na China continental, incluindo Pequim, Chengdu, Chongqing, Guangzhou, Hangzhou e Xangai.

Akbar Al Baker, CEO da Qatar Airways, explica a decisão:

“Fomos colocados em uma situação operacional desafiadora, em que a companhia aérea não pode continuar com suas operações globais por conta dessas restrições sobre quem já visitou a China. Se continuarmos as operações, o número significativo de tripulantes que viajariam para a China ficaria limitado a operar em determinados voos, reduzindo nossa eficácia operacional. Retomaremos imediatamente nossas operações na China assim que as restrições governamentais forem retiradas”.

Al Baker está correto, porque mesmo que uma companhia aérea queira continuar voando para a China, isso pode realmente gerar problemas de escala de tripulantes.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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