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Qatar volta a ativar o A380, após afirmar que o avião foi o maior erro de sua história

Airbus A380 – Imagem: BriYYZ / CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

Ainda nos primeiros meses da crise aérea devido à pandemia da COVID-19, em meados de 2020, o polêmico CEO do Grupo Qatar Airways, Akbar Al Baker, começou uma série de críticas ao maior avião de passageiros do mundo, em consonância com muitas outras empresas aéreas que afirmavam que o Airbus A380 nunca mais voltaria a ser utilizado após a retomada do mercado.

Naquele momento, Al Baker disse ser uma total irresponsabilidade utilizar o A380 no período de baixa demanda, porque o mesmo emite muito mais poluição de que outros aviões modernos mais eficientes.

Depois, já em abril desse ano, o gestor da companhia disse em entrevista que não havia futuro para todos os seus A380, alegando ser o avião errado na hora errada, confirmando a retirada da metade de seus 10 gigantes.

Por fim, em maio, conforme relatou o portal australiano Executive Traveller, em novas declarações dadas durante um Webinar, o executivo afirmou que “olhando para o passado, isso foi o maior erro que cometemos, comprar os Airbus A380. Paralisamos o A380 simplesmente porque é um avião muito ineficiente em termos de combustível. Não acho que haja um mercado para esse avião no futuro previsível”.

Mas, agora, o futuro mais uma vez mostra a Al Baker a sua natureza tão imprevisível quanto a do próprio CEO. A Qatar Airways está próxima de voltar a decolar com o gigante de dois andares, e muito mais cedo do que qualquer expectativa.

Em entrevista exclusiva ao próprio Executive Traveler nesta semana, o CEO não apenas confirmou a volta breve do modelo, como também contrariou o próprio anúncio de que metade dos dez A380 seriam definitivamente retirados da frota.

“Acho que no início de novembro estaremos começando a voar com os A380 novamente. No momento, estamos planejando voar cinco, mas talvez tenhamos que voar todos os dez”, afirmou Al Baker ao portal australiano. “Colocamos os A380 no solo no início da pandemia e não pretendíamos mais voá-los novamente”.

Mas ele destaca ao Executive Traveler que a volta do grande quadrijato é consequência dos problemas com os Airbus A350 de sua frota. “Infelizmente, com os problemas que estamos tendo com os Airbus A350 que foram paralisados por nosso regulador, não temos alternativa a não ser voar os A380.”

Os problemas a que Al Baker se refere foram destacados pela Qatar em agosto, quando a empresa afirmou que, dado que a superfície da fuselagem abaixo da pintura estava se degradando em um ritmo acelerado, pelo menos treze aeronaves do modelo A350 já haviam sido retiradas de operação até que a causa raiz seja estabelecida e uma solução satisfatória seja disponibilizada pela Airbus para corrigir permanentemente a condição.

O processo de reativação dos A380 já está em andamento, com a companhia aérea preparando um sistema rigoroso de verificações de engenharia, bem como recontratando muitos pilotos do modelo que foram demitidos no começo da pandemia.