Quando um avião Globemaster pousou em Noronha, que virou base militar americana

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A única ilha brasileira que é conectada exclusivamente por avião ou barco, Fernando de Noronha já foi base militar americana, e contou com um voo do distinto Globemaster.

A presença americana no Nordeste não é novidade para quem pesquisa a história da aviação e há até alguns que dizem que a expressão Oxente seria uma versão abrasileirada de Oh Shit!, o que é bem discutível. Linguística à parte, os EUA construíram diversos aeroportos e bases no Nordeste, como parte do esforço de guerra para derrotar os nazistas, antes mesmo do Brasil enviar soldados para a Itália, “onde a cobra fumou com vontade”, mas para um bem mundial maior.

A história da Segunda Guerra Mundial e da Batalha do Atlântico são bem conhecidas, apesar de mal exploradas nas escolas brasileiras, já que poucos sabem da importância da participação do Brasil no conflito. De qualquer maneira, há um acontecimento de anos mais tarde que quase não é conhecido.

Em 1957, o presidente brasileiro Juscelino Kubitschek fechou um acordo com seu par americano Dwight Eisenhower, para a instalação de uma base de monitoramento de mísseis teleguiados, que eram o temor na época e predecessor dos futuros mísseis balísticos. Em troca, o Brasil recebeu US$100 milhões de dólares em equipamentos militares, que incluiriam o caça Lockheed F-80 Shooting Star.

A ideia da base era vigiar qualquer lançamento no Atlântico feito pelos “novos” inimigos, os soviéticos, que começavam a sua expansão após terem se recuperado da Segunda Guerra. Para isso, segundo a publicação da página Noronha #TBT e História, que abre essa matéria, foi enviado um Douglas C-124 Globemaster II, principal cargueiro americano da época, conhecido pelo seu design não convencional e que contava com uma porta de carga na parte dianteira.

Ele trouxe 150 americanos que montaram a base de monitoramento, além de toda a estrutura necessária para uma base militar padrão.

Apesar de todo o esforço e investimento, a base militar de Noronha durou pouco tempo, já que em 1959 os EUA tinham encontrado outros meios de monitorarem a atividade da União Soviética, e optaram por sair da ilha, marcando assim o fim da última base americana em solo brasileiro.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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