Quatro empresas aéreas europeias estudam adicionar aeronaves Embraer

Imagem: Embraer

As aeronaves da Embraer vêm colhendo boas oportunidades na Europa. Binter Canarias, Belavia, Helvetic, Widerøee e KLM Cityhopper são algumas das empresas que têm os modelos E190 e 195 E2 novos, embora as aeronaves usadas também demonstraram algum interesse entre as companhias aéreas, sendo o exemplo mais recente o da SAS Scandinavian Airlines System, que assinou uma carta de intenções (LoI) para quinze Embraer E190.

Da Irlanda

Patrick Bryrne, CEO da companhia aérea regional irlandesa Cityjet, especializada no negócio de ACMI e wet-leasing, também disse que está considerando ter uma frota da Embraer no futuro, reporta nosso parceiro Aviacionline.

Como resultado da crise de saúde, a irlandesa perdeu contratos com a Aer Lingus, Air France, Brussels Airlines e Air Antwerp. Depois de passar por uma reestruturação, a companhia só fechou um contrato com a SAS por doze CRJ-900. Agora, a Cityjet busca se rearmar e vai agregar mais dez CRJ 900, enquanto também buscará incorporar vários Embraer à sua frota.

“Queremos entrar no mercado de jatos Embraer, há apenas um número limitado de CRJ, então também teremos que construir uma frota da Embraer para o mercado de wet-leasing”, diz Bryrne.

Bryrne inicialmente considera uma frota de até cinco E190 ou E195 para o próximo ano. No futuro ele escolheria usar o Embraer E2, embora o A220 também dispute um lugar em seus planos.

Do Adriático

A Embraer fez uma apresentação de seu produto E-Jet E2 com a ajuda da empresa suíça Helvetic em Zagreb, Croácia. Estiveram presentes na cerimônia representantes das companhias aéreas croatas Trade Air e da Croatia Airlines. Esteve também a start-up estatal montenegrina, Air Montenegro, que nasceu das cinzas de sua antecessora, que foi liquidada em 2020 após anos de perdas.

Essa última tem um Embraer 195 e em breve receberá mais dois, mas não descarta os planos de aumentar mais essa frota ou, quem sabe, seguir para o E2 no futuro. Nada está definido.

Por seu lado, a Trade Air, focada em serviços de fretamento, acrescentou recentemente três Airbus A320 e um A319 à sua frota. A decisão pelo Embraer E2, se confirmada, permitiria que ele tivesse destinos secundários, substituindo o atual Fokker 100 na sua frota.

Para a Embraer, o maior negócio seria fechar um acordo com a Croatia Airlines, uma das maiores companhias aéreas da região dos Balcãs. A companhia aérea estatal croata não faz um pedido de modernização de sua frota desde 2008, quando encomendou quatro Airbus A319 e seis Dash DHC Q-400, dos quais recebeu apenas os turboélices. Os A319 foram substituídos por quatro A320neo, que, devido à situação financeira da companhia aérea, acabaram por ser cancelados em 2020.

Agora, a Croácia está negociando reconstruir a empresa com uma frota moderna, de acordo com suas necessidades e finanças. Os modelos da Embraer terão que competir com a proposta da Airbus para os A220, apresentada semanas antes às companhias aéreas do Adriático.

A Croácia é um destino sazonal na Europa e a Croatia Airlines tem uma desvantagem com seus modelos atuais. O DHC 8-400 tem alcance insuficiente para vários destinos fora de temporada e os Airbus A319/A320 costumam ser aeronaves muito grandes para suas rotas regionais.

Com uma diferença de tamanho muito grande entre os três modelos, faz com que na baixa temporada tenha mais aeronaves do que precisa ou na alta temporada esteja em busca de aviões que atendam a demanda de férias. A ideia da Croatia Airlines visa ter uma frota de E195-E2, oferecendo uma única classe de 134 assentos ou dividida em 12 assentos na executiva e 108 na econômica.

O alcance de 4.815 quilômetros permite operar em toda a malha aérea atual e com a possibilidade de trocar novas rotas sazonais por rotas regulares, como Lisboa, Madrid, Barcelona, St. Petersburgo ou Tel Aviv.

A Embraer terá de competir com o Airbus A220, modelo estrela da fabricante europeia na frota regional de grandes empresas como Air Baltic, Air France e em breve ITA (da Itália).

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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