Quatro empresas aéreas fazem ofertas para compra da Malaysia Airlines

Malaysia
Foto por YSSYguy – licença CC 3.0 via Wikimedia Commons

Documentos divulgados pelo fundo soberano malaio, Khazanah Nasional Berhad (KNB), revelaram que a Malaysia Airlines (MAB) recebeu ofertas de compra vindas de quatro companhias aéreas – Japan Airlines, Malindo Air, Air France-KLM e AirAsia Group.

Embora a proposta vencedora seja decidida somente em abril, no mês passado, o ministro dos Assuntos Econômicos da Malásia, Mohamed Azmin Ali, confirmou que ainda não recebeu uma oferta suficientemente atraente para levar o processo adiante. No entanto, naquele momento os detalhes de suas propostas e dos quatro licitantes ainda eram confidenciais – apesar dos constantes rumores que ligavam várias companhias aéreas à compra.

Qual a melhor proposta

A publicação de negócios Focus Malaysia, que viu os documentos, disse que acredita-se que os primeiros colocados sejam AirAsia Group e JAL, com a primeira levando vantagem. Em resumo, os principais benefícios da oferta do AirAsia Group são os seguintes:

  • Sinergias estimadas em US$ 280 milhões por ano;
  • Espera-se que resolva a supercapacidade do setor;
  • Acesso os negócios digitais e de outras empresas da AirAsia.

O KNB vê a consolidação como o melhor caminho a seguir para resolver o problema de supercapacidade do setor interno, colocando assim a Malaysia Airlines em um caminho mais sustentável financeiramente. No entanto, a proposta da AirAsia ainda precisa de algum refinamento, disse a publicação.

Outros detalhes do plano veriam o AirAsia Group adquirir a AirAsia X, fundindo-os em uma companhia aérea única antes de absorver a Malaysia. Dessa forma, a AirAsia teria como alvo o segmento de baixo custo, enquanto a MAB se concentraria no segmento premium para mercados nacionais e internacionais.

O que veio dos japoneses

Olhando para a oferta recebida da JAL, a companhia aérea Oneworld propôs uma injeção de caixa de US$ 275 milhões para uma participação de 25% na MAB, deixando a KNB como principal acionista da companhia aérea. Além disso, a JAL ofereceu sua experiência de gestão de receitas e turnaround, e indicou que faria de Kuala Lumpur um hub internacional, competindo com o Changi, de Cingapura, e Bangkok.

Para isso, a JAL redirecionaria para Kuala Lumpur o tráfego do Japão para a Índia, Indonésia e Austrália, os quais atualmente passam pela Tailândia e Cingapura. Também melhoraria a conectividade entre a capital malaia e os EUA através de Tóquio.

A companhia aérea japonesa também propôs a fundação de uma nova companhia aérea de baixo custo de médio a longo curso que se integraria às redes de ambas e abriria novas rotas para os EUA e Europa, usando funcionários da MAB e da JAL para garantir a troca de experiências.

A oferta da JAL foi considerada inferior à do AirAsia Group pela KNB porque as sinergias estimadas seriam apenas de US$ 34 a 88 milhões por ano, o que se acredita não ser suficiente para cobrir as perdas da MAB. Além disso, a KNB ficou desencorajada pelo fato de que a companhia aérea japonesa não propôs assumir a liderança na reestruturação da MAB, e sua solução não resolveria a supercapacidade doméstica.

E o resto

Apesar de seus detalhes de licitação terem sido revelados, a Air France-KLM disse em 21 de janeiro que, embora já tivesse mantido conversações com a KNB, ela não estava mais interessada no processo.

“A Air France-KLM continua a estudar oportunidades de investimento global por seu objetivo estratégico de ser um participante ativo na consolidação do setor, como apresentado em seu Dia dos Investidores em novembro de 2019”, disse o grupo aéreo franco-holandês. “A Air France-KLM já havia estado em contato com os acionistas da Malaysia Airlines, mas nesta fase não está mais interessada no processo de compra.”

Os detalhes sobre a oferta do grupo franco-holandês foram os seguintes:

  • Sem investimento inicial, mas uma “call option” para uma participação de 49%;
  • Sinergias estimadas entre US$ 250 e 490 milhões por ano;
  • Joint venture 50/50 em manutenção, reparo e operações;
  • Cooperação comercial com voos diários Paris-Kuala Lumpur e possível expansão para o norte da África e Europa.

Em termos da quarta e última oferta, da Malindo Air, os detalhes parecem ser escassos:

  • Não há informações disponíveis sobre participação acionária ou avaliação;
  • Um ano de colaboração antes de uma decisão final sobre uma fusão;
  • Redução esperada de custos através de economias de escala.

Nesta fase, não está claro se o KNB e o governo malaio se aproximaram dos quatro licitantes para melhorar suas respectivas ofertas, retirá-las ou se estão buscando novas ofertas. O ministro Ali adiantou, no mês passado, que os funcionários estariam procurando outras opções antes que pudessem chegar à decisão final”.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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