Que fim levaram os aviões Airbus A330 da TAM?

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O Airbus A330 marcou a história da TAM Linhas Aéreas, tendo sido o flagship da companhia por muitos anos. Mas por onde andam hoje estes aviões?

Foto de Benito Latorre (IM), cedida ao AEROIN

Tudo começou na segunda metade dos anos 1990, quando a então TAM Linhas Aéreas (hoje LATAM Brasil) encomendou seus primeiros jatos Airbus em 1997, numa expansão jamais vista na história da empresa até então e que lhe faria partir do status de uma empresa regional para uma companhia aérea internacional.

Na encomenda original havia, além do A330, jatos Airbus A319 e A320. Esses três modelos seriam operados pela primeira vez no país pela TAM, marcando o fim do domínio da Boeing nas operações no Brasil.

Os dois primeiros jatos do modelo foram entregues à TAM em novembro de 1998 portando as matrículas PT-MVA e PT-MVB. Sua chegada aconteceu com uma grande festa para cerca de 600 pessoas, ao melhor estilo do Comandante Rolim, e um pouso memorável na limitada pista do Aeroporto de Congonhas.

Com a presença de inúmeros jornalistas proeminentes na época, a principal característica destacada pela mídia foi a tecnologia da aeronave, baseada nos ônibus espaciais da NASA (o sistema fly-by-wire), um tema também explorado em diversas propagandas.

O primeiro destino da aeronave foi Miami, marcando sua estreia fora da América do Sul. Depois destes, foram mais 20 jatos A330-200 entregues para a companhia. De 1998 até 2016, os aviões foram a espinha dorsal da empresa em voos internacionais, e em algumas rotas domésticas como de São Paulo para Manaus e Porto Alegre.

Onde estão estes jatos hoje?

Muitos dos A330 ex-TAM estão estocados, aposentados ou já foram picotados em algum “ferro-velho”, mas vários ainda estão ativos. Por serem os A330 mais antigos, acabaram não tendo muita vida após a saída da companhia brasileira, apesar de uma boa parte ter ido para companhias em franco crescimento, como a Turkish Airlines, por exemplo. Veja a lista completa abaixo:

PT-MVA: o primeiro entregue em 1998. Em 2003 foi sub-alugado para a South African Airways e Etihad Airways, tendo retornado em 2005. Saiu da companhia em 2015, voando para o Aeroporto de Lourdes na França, onde foi estocado e posteriormente desmontado.

PT-MVB: De trajetória similar ao MVA, com passagem pela South African (onde voou com matrícula brasileira, assim como seu “irmão”) e Etihad Airways. Voltou em 2005 e saiu da companhia em 2016, também indo para Lourdes onde foi desmontado.

PT-MVC: Entregue em dezembro de 1998. Ficou na companhia até 2016, seguindo os passos dos anteriores, foi estocado e desmontado em Lourdes, na França.

PT-MVD: Entregue em junho de 1999, foi para a Etihad Airways em 2003, onde voou com outro prefixo (A6-EYB). Voltou para a TAM em 2006 e saiu da companhia em 2016. Seguindo seus irmãos, foi estocado e desmontado em Lourdes na França.

PT-MVE: Entregue em novembro de 2000, foi para a Etihad Airways em 2003 voando como A6-EYA por lá até voltar para a TAM em 2006. Saiu da companhia em 2013, tendo sido estocado e abandonado nas dependências da companhia no Aeroporto de São Carlos, no interior de São Paulo.

PT-MVF: Entregue em 2002, voou até 2015, quando saiu da companhia. Foi estocado no Aeroporto da Cidade do México e posteriormente desmontado.

PT-MVG: Assim como o MVF, foi entregue em 2002, tendo recebido pintura especial com diversas assinaturas de funcionários quando a TAM adotou a nova marca com o “pássaro azul” estilizado em sua logomarca.

O jato saiu da companhia em 2015, tendo sido estocado no Aeroporto da Cidade do México, mas em 2018 um novo dono foi arrumado e hoje o jato voa na companhia russa I-Fly com a matrícula EI-GEW.

PT-MVH: Entregue em 2002, voou na TAM até 2014, quando foi para a TAP Air Portugal como CS-TOQ. Está até hoje em Portugal, mas não tem voado nos últimos meses devido à pandemia. É esperado que a empresa portuguesa aposente todos os A330-200 até o próximo ano (2021).

PT-MVK: Igual ao anterior, foi entregue em 2002 e voou na TAM até 2014, quando foi para a TAP Air Portugal como CS-TOR. A aeronave foi aposentada na companhia portuguesa em março deste ano.

PT-MVL: Entregue em 2005 e aposentado pela TAM em 2016, foi estocado por dois anos até ir para a turca Atlas Global como TC-AGL. Com a pandemia, foi repassado para a maltesa Maleth Aero e começou a operar como cargueiro (não-convertido) com a matrícula 9H-MFS.

PT-MVM: Recebido em 2007 pela TAM, tendo sido pintado nas cores da Star Alliance em 2010, em celebração à entrada da companhia brasileira na aliança global de empresas aéreas. Aposentou-se da TAM em 2014, tendo seguido para a Turkish Airlines como TC-JIO no mesmo ano, onde se encontra até hoje, parado apenas por questão da Pandemia.

PT-MVN: Como o anterior, foi recebido em dezembro de 2007 pela TAM, recebeu adesivos comemorativos da Copa do Mundo de 2010, incluindo uma bola de futebol no seu nariz, já que a TAM era a transportadora oficial da CBF.

Aposentou-se da TAM em 2014, tendo seguido para a Turkish como TC-JIP no mesmo ano. Ficou alguns meses retido no Irã após um problema nos motores (e à dificuldade de enviar peças de reposição naquele país, devido às sanções), mas voltou para a Turkish em 2019 e hoje está estocado devido à pandemia.

PT-MVO: Recebido em 2008 pela TAM, onde voou até 2014. Seguiu para a Turkish Airlines como TC-JIR no mesmo ano. Foi retirado de serviço em 2016 e estocado na cidade turca de Antália.

PT-MVP: Recebido em 2008 pela TAM, saiu da companhia em 2014. Também recebeu pintura alusiva à Copa de 2010, porém num esquema mais simples. Após sair da brasileira, seguiu para a Turkish Airlines como TC-JIS no mesmo ano, onde se encontra até hoje, parado apenas por questão da Pandemia.

PT-MVQ: Recebido em 2008 pela TAM, onde ficou até 2016, tendo seguido para a Air Berlin, onde voou por um ano como D-ABXE. Em 2018 foi voar na Malaysia Airlines como 9M-MTY, onde se encontra até hoje.

PT-MVR: Recebido em 2008 pela TAM, por ela voado até 2014, antes de seguir para a Turkish Airlines como TC-JIT no mesmo ano, onde se encontra até hoje, parado apenas por questão da Pandemia.

PT-MVS: Foi recebido em 2010 pela TAM e nela ficou até 2016, tendo seguido para a Air Berlin, onde voou por um ano como D-ABXF. Em 2018 foi voar na Malaysia Airlines como 9M-MTZ, onde se encontra até hoje.

PT-MVT: Recebido em 2010 pela TAM. Voou por apenas cinco anos e saiu da companhia em 2015, tendo seguido para a Turkish Airlines como TC-JIZ no mesmo ano, onde se encontra até hoje, parado apenas por questão da Pandemia.

PT-MVU: Recebido em 2011 pela TAM, saiu da companhia em 2015, tendo seguido para a Turkish Airlines como TC-JIV no mesmo ano. A companhia turca sub-alugou o jato para a russa Nordwind Airlines que utilizou a matrícula VP-BYU, tendo depois voltado para a Turkish como TC-LOH, onde se encontra até hoje.

PT-MVV: Igual o antecessor, foi recebido em 2011 pela TAM e saiu da companhia em 2015, tendo seguido para a Turkish Airlines como TC-JIY no mesmo ano. A companhia turca sub-alugou o jato para a russa Nordwind Airlines que utilizou a matrícula VP-BYV, tendo depois voltado para a Turkish como TC-LOI, onde se encontra até hoje.

Dois de Bônus

Além destes 20 jatos listados acima, houve dois A330-200 que a TAM operou mas não recebeu diretamente de fábrica. Foram o PT-MSE e PT-MSD, que ficaram em torno de um ano na empresa brasileira, entre 2001 e 2002, sendo alugados da Gulf Air do Bahrain, para onde retornaram.

Sendo assim mostramos um pouco da história do A330 durante a após a TAM, onde serviu por 18 anos, sendo por muito tempo a “nave-mãe” da companhia aérea do tapete vermelho, do qual o comandante Rolim tinha orgulho e, portanto, fez questão de incluir os dizerem “The Magic Red Carpet” ou “O Tapete Vermelho Mágico” no nariz dos jatos.

Além disso, os aviões têm um histórico impecável, com nenhum incidente grave registrado. A única situação mais preocupante foi uma aproximação com o trem de pouso dianteiro travado a 90º no Aeroporto JFK, em Nova Iorque, mas que foi corrigido momentos antes do toque.

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Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

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