Recurso de segurança do MCAS do Boeing 737 MAX era opcional de fábrica

A medida que as investigações do acidente do Boeing 737 MAX 8 da Ethiopian avançam e os indícios vão apontando para as mesmas causas do acidente da Lion Air meses atrás, a Boeing está sendo colocada em cheque mais uma vez.

Ambos os aviões acidentados não continham dois componentes de segurança diretamente relacionados ao MCAS. O motivo? não eram obrigatórios pelas agências de aviação civil e a Boeing o vendia como opcional.

É comum as fabricantes oferecem opcionais de fábrica assim como as montadoras de carro oferecem trio elétrico, freios melhores e assentos de couro.

Na aviação normalmente os extras são banheiros melhorados, assentos maiores mas também incluem sistemas da aeronave: a Embraer por exemplo vende como opcional para o E175 um pacote hot que permite que a aeronave opere numa temperatura acima do modelo padrão.

Outro exemplo é o Short Field Performance que a GOL comprou da Boeing para operar sem restrições no Santos Dumont e Congonhas com o Boeing 737-800. São pequenas modificações nos motores e asas que dão uma maior performance para a aeronave.

Óbvio que certificar, testar e implementar tudo isso vem com um custo, e caso não seja mandatório e não aplicável para a operação da companhia, ela não compra.

Foi o caso da Lion Air e da Ethiopian Airlines que não adquiriram dois opcionais. Em um deles o MCAS iria fazer a leitura de dois sensores de ângulo de ataque ao invés de um, já no outro opcional uma luz de discordância seria instalada para apontar diferença de leitura entre os dois sensores.

O MCAS é um sistema que controla a aeronave em situações próxima do estol (quando a perda total de sustentação). Para determinar tal situação ele lê os dados fornecidos pelo indicador de ângulo de ataque.

Segundo o New York Times, apenas a Southwest Airlines e a United Airlines teriam adquirido estes dois opcionais.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

Veja outras histórias

Tripulantes de empresa aérea contrabandearam R$ 277 mi em iPhones para...

0
Dez pessoas, incluindo tripulantes de uma companhia aérea russa foram presos em Nova Iorque por contrabando de iPhones numa cifra de R$277 milhões.