Quanto tempo demora o pit-stop de um Formula 1 dentro de um avião e a gravidade zero?

IL-76 Red Bull

Estamos tendo o privilégio de testemunhar uma revolução tecnológica sem precedentes em todo o mundo. Nessa era de conquistas, algumas empresas tem gastado um dinheiro a mais para também dar asas aos seus projetos mais mirabolantes e o mais recente exemplo disso é a campanha da Red Bull que, dessa vez, “quebrou a banca” ao fazer um pitstop num carro de Formula 1 dentro de um avião em pleno voo.

E o melhor de tudo: em gravidade zero.

O que foi necessário?

Para tal feito, a empresa juntou um quadrijato russo Ilyushin IL-76 MDK, um carro de Fórmula 1 RB1 da temporada 2005 e a equipe do Red Bull Racing Team (também conhecida como RBR). todo esse aparato foi levado até o Centro de Treinamento de Cosmonautas “Yuri Gagarin”, na Cidade das Estrelas, localizado na grande Moscou.

Obviamente, a Red Bull queria promover sua marca e conseguiu em grande estilo. No entanto, outro motivo do evento foi desafiar sua equipe, que só este ano bateu sozinha três recordes de pit-stops, a uma tarefa bem diferente: bater o recorde a 33 mil pés (~11 km) de altitude.

A contar do vídeo divulgado pela empresa, a equipe de saiu bem, apesar da dificuldade de manter o mesmo controle das pistas.

Um Ilyushin dos cosmos

O IL-76MDK de matrícula RF-75353 da agência espacial Roscosmos foi produzido em 1991, e segundo a Ilyushin, é uma versão especialmente feita para o treinamento de cosmonautas, como são chamados os astronautas russo e eram os soviéticos, no passado.

A sua fuselagem e asa são resforçados, contando com acumuladores hidráulicos e sistema de combustível modificado para permitir a operação segura em gravidade zero.

Na parte interna foram colocados mais trilhos no piso e iluminação extra, além de uma mesa controladora para engenheiros e médicos acompanharem a performance dos cosmonautas em gravidade zero.

Para chegar na gravidade zero, os pilotos usam a técnica chamada de “Curva Parabólica de Kepler”: primeiro o avião acelera na velocidade máxima em subida; quando o ângulo de subida atinge de 45º a 50º, o piloto comanda o nariz do avião para baixo novamente e, então, a sensação de gravidade zero acontece dentro da aeronave.

Este efeito dura entre 25 e 28 segundos, e a aeronave pode fazer até 10 destas parábolas em um voo de uma hora e meia – o máximo permitido por voo é de 20 curvas parabólicas. Em média os cosmonautas fazem 11 voos destes antes de irem para o espaço.

20 segundos, nada mais

F1 Red Bull

Fazer um pit-stop em 20 segundos na pista é mole para a RBR, já que a escuderia bateu o recorde mundial uma semana atrás, no GP de Interlagos, com incríveis 1,82 segundos para a troca dos quatro pneus de Max Verstappen. Porém, dentro de um Ilyushin, a 33 mil pés e em gravidade zero, o papo muda.

O diretor responsável Andreas Bruns explicou como foi feita a filmagem: “Nós tínhamos sete voos com 80 parábolas no total, com 25 tomadas (de filmagem) para fazer. O primeiro voo foi para testes, nos deixando com 70 parábolas para filmagem, significando que teríamos de dois a três tomadas por parábola. Planejamos tudo bonitinho, mas a gravidade zero nos pegou de surpresa, e no intervalo de dois a cinco minutos entre as parábolas, nós tínhamos que trazer a solução”, afirma o diretor da Red Bull.

O carro de 2005 foi escolhido por alguns motivos. Ele é menos largo do que os novos, deixando maior espaço para os mecânicos, além de também contar com estruturas reforçadas, já que virou um carro de demonstração após o fim da temporada.

O mecânico Paul Knight afirma que é estranho trabalhar na gravidade zero e que não tem essa de te jogar para cima e para baixo: “Na subida com 2 Gs, você se sente plantado no chão, logo depois você começa a flutuar, os instrutores tiveram que nos manter no chão para não cairmos quando a gravidade voltasse”.

Veja como foi o por trás da cena dessa “maluquisse” da Red Bull:

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos