Reino Unido decide que quem limpa os chuveiros do A380 não é considerado comissário

O spa da primeira classe do A380 – Foto Emirates

As autoridades de imigração do Reino Unido moveram-se para proibir a Emirates de dar o status de comissários aos conhecidos Assistentes de Serviços Cabine (CSA). A informação foi vazada de um memorando interno da companhia. Os CSA também são conhecidos como atendentes de banho e spa e são os responsáveis por organizar o luxo a bordo dos chuveiros da primeira classe, que estão instalados na frota da Emirates de Airbus A380.

Segundo o blog PYOK, o memorando diz que a Força de Fronteiras do Reino Unido implementou uma “restrição à entrada de tripulação não-licenciada”, o que significa que os CSA não estão autorizados a usar as isenções normais oferecidas à tripulação de cabine totalmente treinada.

Ao contrário de seus colegas tripulantes de cabine, os CSA recebem apenas treinamento básico de equipamentos de segurança e emergência. Eles não podem operar portas – seja em operação padrão ou em uma emergência, por exemplo, e não vestem os trajes-padrão dos comissários. Em vez disso, os CSA são convocados para operar o A380s puramente para cuidar do spa que serve aos 14 passageiros da Primeira Classe e, se o tempo permitir, para limpar os outros banheiros a bordo.

Críticas ao modelo da Emirates

Mas o programa CSA da Emirates não é isento de críticas. Os assistentes de serviço de cabine, que predominantemente vêm das Filipinas, recebem significativamente menos do que a tripulação de cabine. Espera-se também que eles compartilhem quartos de hotel durante escalas, não tenham as proteções do que são conhecidos como “limitações de tempo de voo” – que rege o horário máximo de trabalho, escala mínima e períodos de descanso a bordo.

Na verdade, em alguns voos ultra-longos, os CSA descansam em um assento normal (jump seat) por que não há espaço suficiente nos beliches da tripulação. Várias matérias na internet falam sobre os CSA, que seriam contratados com a promessa de que um dia se tornariam um membro de pleno direito da tripulação de cabine – uma promessa que os críticos dizem que nunca se materializa (mas isso não podemos comprovar).

De um modo geral, CSA são quase sempre do sexo feminino e se distinguem das tripulantes do sexo feminino por usarem um tabardo (espécie de capote) ao invés de um colete.

A decisão do Reino Unido é uma incógnita

Não está claro por que a Força de Fronteiras do Reino Unido decidiu agora proibir os CSA de usar a isenção de entrada da tripulação usual – embora, em face das informações acima, o raciocínio possa até fazer sentido para alguns. O que será interessante ver é se outros países também decidam o mesmo.

O Reino Unido provou ser um mercado importante para a Emirates. A companhia aérea serve atualmente Londres com seis voos diários A380, enquanto Manchester tem três serviços diários A380 e Birmingham tem dois. Outros destinos britânicos, como Newcastle, Stansted, Glasgow e Edimburgo, são servidos por aeronaves Boeing 777 que não têm instalações de spa de chuveiro e, portanto, não são afetadas.

A Emirates provavelmente poderá obter visto para os seus CSA entrarem UK, entretanto, a companhia aérea planeja fazer uma lista com um membro extra da tripulação da Primeira Classe para cuidar do spa do chuveiro.

Carlos Ferreira

É profissional de marketing e pesquisador de temas relacionados à aviação há quase duas décadas. Leva a câmera fotográfica para onde vai e faz mais fotos de aviões do que dos passeios. Responsável pela linha editorial da revista eletrônica AEROIN.net.