Relatório revela as falhas que levaram o MD-83 a acabar no meio da rua

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Acidente MD-83 Caspian Airlines Irã Rua bloqueada
O jato no meio da rua após o acidente

Conforme você pôde acompanhar aqui no AEROIN em janeiro, um jato McDonnell Douglas MD-83 terminou no meio da rua após um pouso mal sucedido que o levou a não conseguir parar antes do final da pista (excursão de pista).

Na ocasião, a aeronave da companhia aérea Caspian Airlines, de matrícula EP-CPZ, realizava o voo de número IV-6936 do aeroporto de Teerã Mehrabad para o de Mahshahr, ambos no Irã, com 136 passageiros e 8 tripulantes.

O MD-83 pousou na pista 13 de Mahsha e ultrapassou o final da pista, rompendo a cerca do perímetro do aeroporto e parando em uma via expressa cerca de 170 metros após o final da pista, com todas as pernas do conjunto de trem de pouso colapsadas.

Os passageiros evacuaram a aeronave enquanto os serviços de emergência ainda começavam a responder, pois não houve feridos, apesar dos danos substanciais na aeronave.

Agora, a Equipe de Investigação de Acidente (AIB) da Organização de Aviação Civil (CAO) do Irã divulgou seu relatório final com mais detalhes sobre como ocorreram os procedimentos de aproximação e pouso que levaram ao acidente, bem como suas conclusões sobre as causas prováveis e fatores contribuintes. Acompanhe a seguir.

Como tudo ocorreu

O relatório informa que o comandante, de 64 anos e com experiência de 18.430 horas totais de voo e 7.759 horas no tipo de avião, era quem pilotava o MD-83, enquanto o primeiro oficial, de 28 anos e com 300 horas totais e 124 horas no tipo, era o piloto de monitoramento.

A tripulação solicitou uma aproximação por procedimento VOR/DME para a pista 13 e o voo prosseguia normalmente até a aproximação.

Então, a checklist (lista de verificação) de descida/aproximação foi utilizada, porém, apenas parcialmente, e a lista de verificação de pouso não foi cumprida.

Os dados de radar mostraram que a aeronave ainda estava a 2700 pés da altitude (com a elevação do aeródromo sendo de 18 pés) e com 249 nós de velocidade de solo cerca de 3 milhas náuticas antes da cabeceira da pista.

A transcrição citada no relatório mostra oito chamadas do sistema de GPWS (Sistema de Alerta de Proximidade com o Solo) informando “Taxa de afundamento!” enquanto a aeronave descia entre 1000 pés e 500 pés acima do solo.

Seguindo a chamada automatizada de 400 pés do GPWS, o sistema soou uma sequência de alertas até o toque com o solo: “Taxa de afundamento!”, “Puxe para cima!”, “Puxe para cima!”, “Puxe para cima!”, “Taxa de afundamento!”, “Taxa de afundamento!”, “Taxa de afundamento!”, “40 pés”, “Taxa de afundamento!”, “20 pés”, “10 pés”.

A aeronave tocou primeiro o trem de pouso de nariz no solo, estando com 171 nós de velocidade (enquanto a velocidade de referência Vref seria de 131 nós) e a 1.695 metros além da cabeceira da pista, que tem 2.695 metros de distância disponível para pouso.

O toque resultou em carga de cerca de +1,22g após ter descido os últimos 1000 pés em 38 segundos (taxa média de descida de cerca de 1580 pés por minuto).

O sensor de solo do trem de pouso entrou no modo solo e então voltou brevemente ao modo voo, antes de retornar em definitivo ao modo solo, indicando que um provável salto aconteceu após o forte impacto do pouso, aumentando ainda mais a distância necessária à parada.

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Imagem: AIB / CAO

Análise da distância de pouso

A AIB avaliou a distância de pista necessária ao pouso do MD-83, definindo a distância normal para um pouso comum e adicionando as distâncias extras que o jato precisava por conta de três fatores: vento de cauda, alta velocidade e peso extra de combustível.

– Distância de pouso normal da aeronave: 3.865 pés (1178 m)

– Correção de vento de cauda: +508 pés (155 m)

– Velocidade acima de Vref: +2438 pés (743 m)

– 5 toneladas de combustível extra (pelo menos): + 250 pés (76 m)

Assim, a distância total necessária nas condições do pouso era de 2152 m. Portanto, mesmo com todos os fatores de pouso com vento de cauda, alta velocidade e mais peso, ainda seria possível parar dentro dos 2695 m da pista se o toque não tivesse ocorrido 1695 m além da cabeceira, que resultou em apenas 1000 m disponíveis.

Causas prováveis e fatores contribuintes

O relatório aponta que as causas prováveis deste acidente foram as abaixo listadas, que terminaram por resultar na excursão de pista:

– Má tomada de decisão para aceitação do risco de pouso em alta velocidade;

– Aproximação não estabilizada contra o perfil de voo normal;

– Fraco CRM (gerenciamento de equipe e recursos) no cockpit; e

– Fraco julgamento e não realização de arremetida durante a execução de uma aproximação desestabilizada.

Adicionalmente, como fatores contribuintes ao acidente, o relatório indica:

– Carregamento de 5 toneladas de combustível extra, o que aumentou a distância de pouso necessária;

– Decisão de fazer um pouso pela cabeceira 13 com vento de cauda; e

– Incapacidade do copiloto (que era o piloto de monitoramento) de assumir o controle da aeronave e a ação adequada para executar a arremetida.

Com informações oficiais da CAO

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Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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