A incrível chegada em curva do Aeroporto Kai Tak em fotos e vídeos!

Já se passaram 21 anos desde que o Aeroporto Internacional Kai Tak, em Hong Kong, foi fechado, mas seu procedimento de aterrissagem único e notório ainda está muito vivo na memória daqueles que o experimentaram.

Veja a seguir imagens, vídeos e um pouco da história desse singular aeroporto asiático.

Kai Tak Aeroporto Vista Aérea
Vista aérea de Kai Tak, em Hong Kong

Kai Tak foi construído em 1925 em área aterrada na Baía de Kowloon, em frente à Ilha de Hong Kong. Sua localização era incomum: estava em uma espécie de “tigela natural”, cercada por montanhas e água, e mais tarde repleta de blocos de apartamentos.

“Kai Tak foi um dos últimos grandes aeroportos do mundo em que você realmente teve que confiar nas habilidades básicas de voo ‘pé e mão’, e ficamos um pouco tristes quando ele fechou”, disse o comandante Dave Newbery, que voou para o aeroporto por quatro anos na Cathay Pacific antes de as pistas serem fechadas em julho de 1998.

Nos primeiros anos, foi usado por um clube de voo e como um aeroporto militar, mas, após a Segunda Guerra Mundial, tornou-se uma base para a companhia aérea local Cathay Pacific.

Cathay Pacific Aeroporto Kai Tak
Kai Tak em 1960 – Imagem: Cathay Pacific

Em 1958, com o aumento da demanda no aeroporto, uma nova pista foi construída: a pista 13/31. Sua chegada se projetava sobre a Enseada Victoria e foi essa aproximação que ganhou o apelido de “ataque cardíaco de Kai Tak”.

Uma aeronave com autorização para aterrissar começava a se aproximar da enseada, lar de um dos portos mais movimentados do mundo e da densamente povoada Kowloon, em uma direção praticamente perpendicular à pista. Ao avistar o “Checkerboard Hill” – um marcador quadriculado pintado de laranja e branco na montanha acima de um parque – o piloto virava à direita em uma curva estonteante.

Kai Tak Aproximação em curva
Marcador quadriculado na montanha marcava o início da curva

Kai Tak Aproximação em curva

Essa curva a baixa altitude e de 47 graus ocorria a quase 200 milhas por hora (mais de 300 km/h), a apenas duas milhas náuticas da pista (3,7 km). De lá, a aeronave passava por cima de prédios de apartamentos e ruas movimentadas, bem como sobre spotters (observadores de avião) no telhado da garagem de Kai Tak, antes que as rodas tocassem finalmente na pista, provavelmente com um suspiro audível de alívio.

“Nós praticávamos a aproximação no simulador, mas ele realmente não reproduzia a situação real”, disse Newbery. “Era uma questão de ver como os outros pilotos o faziam e ‘ir em frente’.”

Kai Tak Aproximação em curva

Kai Tak Aproximação em curva

Mas, existia uma consideração adicional sobre o clima: a temporada de tufões dura de maio a novembro em Hong Kong e acrescentava ainda mais complexidade ao pouso.

“Quando o tempo estava bom e com um vento leve, a abordagem era bastante fácil de gerenciar, uma vez que você pegava o jeito, mas com os ventos imprevisíveis e a chuva com mau tempo ou durante um tufão, poderia ser um real trabalho manual.”

Veja nos vídeos abaixo exemplos do difícil pouso com fortes ventos em Kai Tak.

Até mesmo o Concorde experimentou a crítica aproximação de Kai Tak em condições adversas. Veja nos vídeos a seguir o pouso e a decolagem de um dos Concordes da British Airways em 1996 e o pouso de um da Air France.

Newbery lembra particularmente de uma chegada memorável: “Eu estava voando para Kai Tak com minha esposa no jumpseat (o assento adicional que fica na cabine, atrás dos pilotos). O tempo estava horrível e, no meio da curva para a final, uma tempestade violenta atravessou o aeródromo e eu perdi totalmente a pista. Eu tive que executar uma arremetida, o que foi um trabalho bastante difícil.”

Dadas essas condições, os 73 anos de operação de Kai Tak envolveram acidentes, alguns fatais.

Um dos últimos, mas que envolveu apenas ferimentos leves, foi em 1993, quando um Boeing 747 da China Airlines pousou durante um tufão. Em meio a fortes ventos cruzados, a aeronave ultrapassou o fim da pista e acabou dentro da água na enseada.

Kai Tak acidente China Airlines

Apesar dos perigos, a pista 13/31 se tornou a pista mais movimentada do mundo, com 36 pousos e decolagens por hora.

As decolagens da pista 13/31 tiveram seus próprios desafios. Para os iniciantes, a pista era curta e, uma vez no ar, a aeronave tinha que virar bruscamente para evitar Beacon Hill e Lion Rock, duas montanhas vertiginosas que se elevavam a cerca de 1.600 pés (490 metros).

A partir da década de 1980, a capacidade de Kai Tak começou a ficar crítica. A cidade estava crescendo e o aeroporto não conseguia acompanhar o ritmo. Um novo e reluzente aeroporto em Chep Lap Kok, na ilha de Lantau, muito mais distante da cidade, foi inaugurado em 1998.

Veja a seguir o vídeo de uma decolagem no novo aeroporto Chep Lap Kok, e note nas imagens ao fundo como é enorme o novo aeroporto!

Desde sua aposentadoria, Kai Tak tem sido usado como uma instalação de varejo e recreação. Mas as memórias das chegadas de Kai Tak permanecem. E, embora Chep Lap Kok seja mais seguro, Newbery afirma: “Kai Tak foi especial!”

informações pelo Atlas Obscura.

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.