Reservas financeiras das companhias aéreas estão chegando ao fim

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Aeroporto London Heathrow
Imagem: Panhard / CC BY-SA via Wikimedia

Segundo a mais recente análise divulgada pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA – International Air Transport Association), as companhias aéreas devem continuar com balanço negativo durante todo o ano de 2021. Na análise anterior (de novembro de 2020), as estimativas indicavam que as companhias aéreas retomariam o saldo positivo no quarto trimestre de 2021, mas no setor da aviação em geral, isso só deve acontecer em 2022.

Estima-se que a queima de reservas em 2021 aumente e atinja a faixa de US$ 75 bilhões a US$ 95 bilhões, onde antes eram previstos US$ 48 bilhões. Esse cenário é influenciado pelos seguintes fatores:

Começo fraco de 2021: Já está claro que o primeiro semestre de 2021 será pior do que o previsto, porque os governos aumentaram as restrições de viagens em resposta às novas variantes da COVID-19. As reservas para voos no verão no hemisfério norte (julho-agosto) estão hoje 78% abaixo dos níveis de fevereiro de 2019 (as comparações com 2020 estão distorcidas devido aos impactos da COVID-19).

Cenário otimista: Considerando o início fraco deste ano, o cenário otimista consideraria restrições de viagens gradualmente revogadas, uma vez que as populações vulneráveis nas economias desenvolvidas foram vacinadas, ainda a tempo de impulsionar a demanda apática para a alta temporada de viagens de verão no hemisfério norte. Nesse caso, a demanda de 2021 seria 38% dos níveis de 2019. As companhias aéreas gastariam até US$ 75 bilhões de suas reservas ao longo do ano. Mas a queima de reservas de US$ 7 bilhões no quarto trimestre seria um avanço muito significativo em relação à queima de US$ 33 bilhões prevista no primeiro trimestre.

Cenário pessimista: Neste cenário, as companhias aéreas gastariam até US$ 95 bilhões ao longo do ano. Haveria uma tendência de redução da queima de reservas de US$ 33 bilhões no primeiro trimestre para US$ 16 bilhões no quarto trimestre. O que mais influenciaria esse cenário seriam as fortes restrições de viagem mantidas pelos governos durante o pico da temporada de verão no hemisfério norte. Neste caso, a demanda de 2021 seria de apenas 33% dos níveis de 2019.

“Com os governos impondo restrições nas fronteiras cada vez mais rígidas, 2021 se apresenta como um ano muito mais difícil do que o esperado. Na nossa melhor estimativa, as companhias aéreas irão gastar até US$ 75 bilhões de suas reservas neste ano, podendo chegar a US$ 95 bilhões. Será necessária mais ajuda emergencial dos governos. O setor da aviação em operação poderá ajudar a promover a recuperação econômica após a COVID-19. Mas isso não acontecerá se houver falhas massivas antes do fim da crise. Se os governos não conseguirem abrir suas fronteiras, precisaremos que eles abram suas carteiras com ajuda financeira para manter as companhias aéreas viáveis”, disse Alexandre de Juniac, diretor-geral e CEO da IATA.

Com a expectativa de que as companhias aéreas reduzam suas reservas ao longo de 2021, é fundamental que os governos e o setor estejam totalmente preparados para a retomada no momento em que os governos acharem que é seguro reabrir as fronteiras. Isso envolve três iniciativas essenciais:

1. Planejamento: A organização do setor para a retomada com segurança após um ano ou mais de interrupção exigirá um planejamento cuidadoso e meses de preparação. Os governos podem garantir que as companhias aéreas estejam preparadas para reconectar pessoas e economias trabalhando com o setor no desenvolvimento de benchmarks e planos que possibilitem a retomada de forma organizada e apropriada.

“O Reino Unido deu um bom exemplo. No início desta semana, o país apresentou um plano de retomada considerando a melhoria na situação da COVID-19, fornecendo às companhias aéreas uma estrutura para planejar a retomada das atividades, mesmo que seja necessário ajustá-la durante o processo. Outros governos devem usar isso como uma best practice para trabalhar com o setor de seus países”, disse de Juniac.

2. Credenciais de saúde: Está claro que as vacinas e os testes terão um papel importante quando a pandemia estiver sob controle e a economia crescer, incluindo o setor de viagens. O IATA Travel Pass permitirá que os viajantes controlem com segurança seus dados de saúde e os compartilhem com as autoridades. Uma lista crescente de companhias aéreas – incluindo Air New Zealand, Copa Airlines, Etihad Airways, Emirates, Qatar Airways, Malaysia Airlines, RwandAir e Singapore Airlines – testaram ou se comprometeram a testar o IATA Travel Pass.

“O gerenciamento digital eficiente de credenciais de saúde é fundamental para a retomada. Os processos manuais não serão capazes de processar os volumes quando iniciar a recuperação. As soluções digitais devem ser seguras, operar com os sistemas atuais, atender aos padrões globais e respeitar a privacidade dos dados. Esses fatores foram todos levados em conta no desenvolvimento do IATA Travel Pass. O IATA Travel App ajudará a definir padrões superiores para o gerenciamento de credenciais de saúde, protegendo as informações contra fraudes e permitindo mais praticidade no processo de viagem. Embora haja opções de soluções no mercado, nenhum desses fatores deve ser comprometido, ou então correremos o risco de falha de sistema, governos e viajantes frustrados e atraso na retomada”, disse de Juniac.

3. Padrões globais: Com a expansão dos programas de vacinação e da capacidade de teste, dois desenvolvimentos se tornaram essenciais: elaboração de padrões globais para registro de testes e vacinas e um plano para registrar retrospectivamente aqueles que já foram vacinados.

“A velocidade é fundamental. Os resultados fraudulentos de testes da COVID-19 já se tornaram um problema. E com a expansão dos programas de vacinação, os governos estão usando registros em papel e padrões digitais diferentes para registrar quem já foi vacinado. Essas condições não são ideais para uma retomada bem sucedida em grande escala quando os governos reabrirem as suas fronteiras. A OMS, a OACI e a OCDE estão trabalhando no desenvolvimento de padrões, mas a cada dia sem essas definições, o desafio fica ainda maior. Precisamos que as autoridades competentes concluam esse trabalho rapidamente para que o setor possa fazer planos”, disse de Juniac.

“Mesmo com os governos focados no controle da crise da COVID-19, devemos pensar nos planos, ferramentas e padrões necessários para reiniciar os voos e promover a recuperação econômica após a COVID-19. Trabalhar em parceria não é novidade para as companhias aéreas ou os governos. É assim que fornecemos conectividade segura, eficiente e confiável há décadas. Já faz um ano que foram iniciados lockdowns e restrições enquanto as vacinas eram desenvolvidas e a capacidade de teste expandida. O motivo de toda a dor que isso causou é manter as pessoas seguras e, eventualmente, poder recuperar o bem-estar de todos e da economia. Com boas notícias sobre vacinas e aumento crescente da capacidade de teste, podemos ver uma luz no fim do túnel. Então, é hora de pedir aos governos que elaborem seu plano de retomada e oferecer apoio do setor”, disse de Juniac.

Informações da IATA

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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