Rússia determina que aérea compre 60 unidades do problemático avião Superjet

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Usando a situação atual que as companhias aéreas enfrentam devido à crise da pandemia de Covid-19, a indústria aeronáutica russa planejou forçar sua própria companhia aérea Red Wings a comprar dezenas das problemáticas aeronaves regionais russas Superjet 100.

Avião Sukhoi Superjet 100 SSJ100
Superjet 100 – Imagem: Anna Zvereva [CC]

A Red Wings, companhia com sede em Moscou e que hoje utiliza aviões Airbus A320 e A321, retornará ao seu conceito original de operador de aeronaves fabricadas na Rússia, a saber, o jato regional Superjet 100 (SSJ100) e o narrowbody MC-21, segundo informações do KXAN36.

Controlada pela gigante da indústria aeroespacial Rostec por meio da United Aircraft Corporation, a Red Wings foi designada para comprar até 76 aeronaves fabricadas na Rússia nos próximos quatro anos. A companhia chegou a operar alguns SSJ100 por cerca de 1 ano entre 2015 e 2016, até os jatos serem transferidos para outra russa, a IrAero.

Agora, até 2024, a Red Wings precisa comprar até 60 jatos SSJ100 e 16 MC-21, revelou Yury Borisov, vice-primeiro-ministro da Rússia, em entrevista à empresa estatal de TV Rossiya 1. “Nas instalações da Red Wings, de propriedade da Rostec, criaremos uma companhia aérea que se concentrará na operação de aeronaves fabricadas na Rússia”, anunciou ele.

Borisov também afirmou que o cronograma de entrega dessas aeronaves já foi mapeado e apresentado ao presidente Vladimir Putin em reunião no dia 13 de maio, dedicada ao apoio às indústrias aeroespacial e aérea da Rússia durante a crise em curso.

“Ao mesmo tempo, essa companhia aérea será a base de um novo sistema de modelo para manutenção e reparos, para alinhar as operações com os padrões globais, de modo que não haja mais acusações de que as aeronaves russas são a segunda opção dos concorrentes ocidentais em eficiência operacional. Este modelo será reproduzido para apoiar outras companhias aéreas”, explicou Borisov.

Ele também acrescentou que a Red Wings receberá certas preferências em termos de leasing, subsídios em horas de voo e tarifas para a Sibéria e o Extremo Oriente da Rússia.

Assim, nos próximos quatro anos, a companhia aérea, que atualmente opera 14 aeronaves da família Airbus A320, pode expandir sua frota mais de seis vezes.

O Superjet 100 tem sido mal sucedido nas poucas companhias aéreas em que operou fora da Rússia, e passou a ser duramente criticado em questões de segurança após a morte de vários passageiros no incêndio de uma aeronave após pouso duro em uma emergência.

No que diz respeito ao MC-21, a Red Wings é o cliente de lançamento de longa data do projeto bastante atrasado. Ele até posicionou sua operação atual de aeronaves Airbus A320 como uma medida provisória até a chegada do MC-21.

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Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.

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