Rússia quer entrar na corrida pela volta dos aviões supersônicos de passageiros

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Tu-160, em 2007 – Imagem de Sergey Krivchikov, via Wikimedia Commons

Recentemente, você viu aqui no Aeroin que há vários projetos em andamento no mundo para colocar os jatos supersônicos de passageiros de volta no ar até o fim da década. Mas ainda faltava dizer que a Rússia também quer estar nessa empreitada com todo apoio da máquina estatal da potência militar.

Desde o ano passado, o presidente russo, Vladimir Putin, vem apoiando publicamente a ideia de uma aeronave supersônica para o transporte de passageiros totalmente desenvolvida em território russo. O projeto é baseado no Tupolev Tu-160, um bombardeiro supersônico construído em diferentes momentos entre os anos 1980 e 2000. A aeronave de combate é o maior modelo supersônico em atividade no momento e o maior avião com asas de geometria variável do mundo.

Segundo o website de notícias RT.com, o Ministro da Indústria da Rússia, Denis Manturov, disse que a United Aircraft Corporation (UAC), empresa estatal russa que reúne companhias de construção, manufatura, projeto e venda de aeronaves para fins civis e militares, será responsável pelo desenvolvimento do jato supersônico de passageiros.

A primeira demonstração técnica, em simulador, está prevista para 2022. Em seguida, o projeto começaria a ser propriamente desenvolvido. Ainda não há previsão de lançamento oficial.

Tu-144

As características do Tu-160 animaram Putin a um projeto mais ambicioso, voltado para passageiros, algo que não seria inédito na aviação do país.

Nem todos sabem, mas o primeiro avião supersônico a levantar voo no mundo nasceu na União Soviética. O Tupolev Tu-144 fez o primeiro voo experimental em 31 de dezembro de 1968, dois meses antes do Concorde. A façanha aconteceu nos arredores de Moscou.

Tu-144
Tu-144 – Imagem: RIA Novosti, por wikimedia commons

O Tu-144 cruzou pela primeira vez a barreira do som em 5 de junho de 1969, e em 26 de maio de 1970 tornou-se o primeiro avião comercial a exceder Mach 2, ou seja, duas vezes a velocidade do som. A capacidade máxima era de 167 passageiros, mas menos de 80 chegaram a embarcar em cada um dos 55 voos comerciais realizados nos dois anos de operações. O design do Tu-144 era muito semelhante ao Concorde, diferindo-se apenas pela presença de pequenas asas dianteiras retráteis e um desenho de asas levemente mais reto.

Ao todo, foram construídas apenas 16 aeronaves modelo Tu-144, das quais apenas duas chegaram a realizar voos comerciais com passageiros, entre os anos de 1977 e 1979. As operações ocorreram entre as cidades de Moscou e Almaty, no Cazaquistão, outra república soviética. No entanto, dificuldades técnicas e financeiras impediram que a operação se consolidasse e se desenvolvesse. O custo por voo era muito alto devido ao alto consumo de combustível e ao pequeno alcance por autonomia de voo, menor que o concorrente franco-britânico.

O último modelo saiu da fábrica em 1983, mas varias tentativas posteriores de aproveitamento da tecnologia foram iniciadas por meio de diferentes parcerias, mas até hoje sem sucesso por resistências do governo russo.

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Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

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