Russo perde 370 mil milhas ao dar golpe para voar com seu gato gordo na cabine

Um russo perdeu 370 mil milhas no seu programa de milhagens depois de bolar e executar um plano para voar com seu gato com excesso de peso na semana passada.

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O russo e seu gato obeso – Imagem: Mikhail Galin

A companhia aérea russa Aeroflot expulsou Mikhail Galin de seu programa de passageiros frequentes depois que os detalhes de seu plano de alto risco se tornaram virais nas mídias sociais russas.

Em um truque que mais parece uma história de filme, Galin usou um outro gato muito parecido com o seu, mas mais magro, para contornar o limite de 8 kg que a Aeroflot define para animais transportados na cabine do avião. O correto é que animais acima do limite sejam transportados no porão de cargas.

Galin publicou um relato detalhado da operação em sua página do Facebook em 6 de novembro, depois que ele e seu gato de 10 kg, Viktor, chegaram a Vladivostok com segurança. As fotos mostravam Viktor no colo de Galin, olhando pela janela, enquanto seu dono bebia champanhe.

Aeroflot não curtiu

A Aeroflot, no entanto, não se divertiu. A empresa disse à NBC News que havia conduzido sua própria investigação e concluiu que Galin violou vários regulamentos das companhias aéreas sobre o transporte de animais.

“Em conexão com várias acusações de violação deliberada do contrato de transporte aéreo, a Aeroflot decidiu excluir esse passageiro do programa de fidelidade”, informou a empresa em comunicado. “Todas as milhas acumuladas durante toda a sua participação no programa serão canceladas.”

Galin disse à NBC News na terça-feira que havia acumulado 370.000 milhas antes da decisão da Aeroflot. Além de violar os limites de bagagem de mão para os animais, a Aeroflot citou que a remoção do gato da bolsa de transporte durante o voo também foi um dos motivos pelos quais Galin foi expulso do programa de fidelidade.

Gato gordo russo golpe Aeroflot
O gato viajante Viktor – Imagem: Mikhail Galin

“A lei é dura, mas é a lei”, disse Galin, quando perguntado como se sentia sobre a decisão, invocando a tradução russa da máxima judicial “Dura lex, sed lex”. O conceito é frequentemente invocado na Rússia para explicar aplicações excessivamente duras das leis draconianas.

A ocorrência até atraiu a atenção do Parlamento do país. Na quarta-feira passada, o chefe do comitê de ecologia de um estado russo, Vladimir Burmatov, enviou um pedido ao CEO da Aeroflot, “para devolver as milhas anuladas ao dono do gato gordo e revisar as regras para o transporte de animais em direção a uma maior flexibilidade.”

Burmatov também disse que a companhia aérea deve dar aos proprietários de animais de estimação a oportunidade de pagar taxas de excesso de peso se seus animais excederem o limite de 8 kg, mas não puderem entrar no porão de carga por motivos de saúde ou se o voo for excessivamente longo.

Galin disse que Viktor já havia voado em uma cabine da Aeroflot naquele mesmo dia. Ele partiu naquela manhã de Riga, capital da Letônia, onde nenhum funcionário da Aeroflot pareceu se importar ou até pedir para pesar o gato. Somente quando se transferiu para Moscou, a companhia aérea procurou pesar Viktor.

Galin se recusou a despachar Viktor no porão de carga do avião no voo de oito horas para Vladivostok. Então, ele perdeu a passagem e resolveu armar o golpe.

O plano maluco mas bem sucedido

O russo foi ao Facebook para encontrar um bom samaritano em Moscou com um gato que lembrasse Viktor, mas pesasse menos de 8 kg.

Foi assim que ele encontrou Phoebe, a gata que faria a vez de Viktor na inspeção. Galin então usou suas milhas da Aeroflot para reservar um assento na classe executiva para Vladivostok no dia seguinte. Os donos da gata o encontraram no aeroporto de Sheremetyevo, em Moscou, onde ela foi pesada no lugar de Viktor.

Quando os funcionários da Aeroflot ficaram satisfeitos com o fato de estarem olhando para um gato de peso adequado, ele voltou para o terminal, trocou os gatos e ambos embarcaram no avião na classe executiva.

A Aeroflot disse à NBC que confirmou todos os detalhes do post de Galin no Facebook, puxando imagens de câmeras de segurança do aeroporto.

Após toda a confusão, o russo fez uma nova publicação no Facebook afirmando que errou na atitude e dando diversos detalhes sobre os motivos pelos quais sua atitude poderia ter colocado em risco aquele voo, mas também contrapondo alguns motivos. Ele disse:

1. Não há qualquer crítica à transportadora aérea e nem pode haver.
Ele estava a fazer o seu trabalho de acordo com as regras.
Eu quebrei as regras, eu somente eu estou errado nessa situação, independente da motivação.
As regras são criadas para segui-las, não para quebrar, e sob todas as regras há uma base.
Ponto.

2. Criadores de animais afirmam que após a minha publicação o aeroporto começou a medir cuidadosamente o transporte para os animais e a pesar, criando assim complicações adicionais para eles.
Deixe-me discordar.
O transporte de animais foi estritamente abordado antes da minha publicação. Isso era o que eu tinha que enfrentar.
Essa foi a razão do post.

3. Especialistas afirmam que o adicional de 2 kg no transporte é crítico porque:
– durante a turbulência, uma bolsa com um animal pode voar ao redor da cabine e causar lesões.
– uma bolsa grande pode impedir que os passageiros evacuem a aeronave em caso de emergência.
Um pequeno complemento meu ao conhecimento dos especialistas:
– um passageiro com um animal sentados no assento da janela não se torna um impedimento em caso de emergência.
Para que a bolsa não bloqueie a saída de ninguém:
– durante decolagem, pouso e turbulência, a bolsa com o animal deve estar presa ao passageiro com um cinto extra e, assim, não vai voar pela cabine.

4. Há possibilidade técnica de carregar animais com mais de 8 kg na cabine e isso é seguro?
Tecnicamente, esta possibilidade existe em vários países ocidentais onde a segurança é muito rigorosa. Um passageiro com um animal de apoio psicológico independentemente do peso também é permitido.

Murilo Basseto

Formado em Engenharia, foi um dos líderes do Urubus Aerodesign da Unicamp e um dos responsáveis por alçar o grupo à elite mundial da engenharia aeronáutica universitária. Atualmente é Editor-Chefe do AEROIN.