Ryanair leva seis companhias aos tribunais por fazerem o que ela pratica

Avião Boeing 737-800 Ryanair
Imagem: Bene Riobó [CC]

A companhia aérea de baixo custo Ryanair recorreu ao Tribunal de Justiça da União Europeia para contestar a ajuda financeira que concorrentes estão recebendo dos respectivos governos durante a pandemia. A empresa considera o socorro estatal ilegal ao favorecer as transportadoras com dinheiro público e desequilibrar o mercado.

Estão na mira da companhia irlandesa os benefícios recebidos por SAS (Suécia), Finnair (Finlândia), TAP (Portugal), Air France (França), KLM (Holanda) e Lufthansa (Alemanha). O mais recente questionamento jurídico foi feito contra a portuguesa TAP, que recebeu um pacote de ajuda governamental de € 1,2 bilhões para sobreviver à crise. Na última semana, a Ryanair cumpriu a ameaça e apresentou um recurso a Comissão Europeia para tentar anular a ajuda estatal. Você conferiu o começo dessa briga aqui mesmo no Aeroin.

Apesar das críticas às concorrentes europeias, a própria Ryanair foi beneficiada com empréstimo do governo do Reino Unido em maio deste ano, mesmo mês em que questionou a legalidade da ajuda recebida pela Lufthansa do governo alemão.

Ryanair e o empréstimo alemão

Segundo o jornal de economia Bloomberg, a low-cost aumentou consideravelmente sua liquidez com um empréstimo de £$ 600 milhões (US$760 milhões) do governo britânico, sob o argumento de que a crise do coronavírus irá reduzir o número de passageiros pela metade no próximo ano. Em sua defesa, o CEO da companhia, Michael O’leary, disse que o acordo firmado pela sua empresa é mais transparente que o das concorrentes, conforme relatado por Valius Venckunas, do portal AeroTime Hub.

A maior companhia de baixo custo da Europa recorreu ao Covid Corporate Financing Facility da Grã-Bretanha para impulsionar a recuperação da empresa e garantir o reinício das operações em julho. Em comunicado ao mercado, O’Leary informou que pretende transportar pelo menos 80 milhões de passageiros até março de 2021, enquanto que meta original para esse período era de 154 milhões de viajantes. A empresa informou à Bloomberg que registrará prejuízo de mais de 200 milhões de euros (US$ 216 milhões) no trimestre encerrado junho e uma perda um pouco menor nos três meses que findam em setembro.

Com o mercado aéreo muito reduzido, uma guerra de preços entre as low-costs pode ser deflagrada para garantir o mínimo de receita durante a alta temporada de verão. Nesta terça-feira, 1, a Ryanair anunciou uma promoção relâmpago para vender até um milhão de bilhetes a 5 euros, cada, para viagens em setembro e outubro.

Fabio Farias
Jornalista e curioso por natureza. Passou um terço da vida entre aeroportos e aviões. Segue a aviação e é seguido por ela.

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