Ryanair não avisará aos passageiros se o voo for com o Boeing 737 MAX

Em mais um desdobramento da crise do 737 MAX na companhia low-cost europeia, a Ryanair disse que não informará seus passageiros quando seus voos forem com o jato, devido à sua má fama.

Boeing 737 MAX Ryanair
Boeing 737 MAX 200 da Ryanair

A decisão foi comunicada pelo CEO da empresa, o polêmico Michael O’Leary, que afirma que o sistema de alocamento de frota da companhia não permite informar qual será o avião previsto para o voo durante o processo de reserva da passagem.

“A confiança dos passageiros no avião será recuperada muito rapidamente. Os passageiros não saberão porque não saberemos. Nós fazemos a alocação de aviões durante a noite anterior, se você comprar sua passagem com seis, oito semanas, não tem como saber”, afirma o CEO.

Esta decisão vai na contramão do mercado, já que as americanas United e Southwest Airlines irão avisar quando o voo será com o modelo, e inclusive irão remarcar para um próximo voo caso o passageiro não se sinta confortável para embarcar no 737 MAX.

A desculpa de O’Leary

A afirmação do CEO parece mais forçar a aceitação do jato do que realmente tentar convencer o consumidor que o jato é seguro para voar.

Isto porquê qualquer pessoa do meio aeronáutico sabe que o planejamento de malha não funciona simplesmente da maneira que Michael descreveu, que os aviões são apenas alocados nos voos da noite para odia.

Realmente, existe um trabalho feito na noite anterior: logo após a virada do dia é divulgada a malha prevista, com as respectivas matrículas das aeronaves. Porém, esta é apenas a confirmação de algo que já estava previsto semanas atrás, e isso é feito para ajudar no planejamento de tripulação, manutenção, e dos times de aeroportos e vendas.

No caso da Ryanair, que possui uma frota uniforme de apenas jatos 737-800 com configuração única de 189 passageiros, a vida fica mais fácil e realmente permite uma alocação de “última hora”. Mas esse jogo mudará com o 737 MAX, que na Ryanair recebeu a designação de MAX 200 e depois a empresa renomeou para 737-8200 para disfaçar o fato de ser um MAX. Isso por que a versão 200 é basicamente o MAX 8, porém com uma porta de saída de emergência extra, permitindo levar até 197 passageiros.

O novo jato irá substituir gradualmente os 737-800 da companhia, mas até lá existirão “duas frotas” na empresa, diferenciadas exatamente pela capacidade de passageiros dos dois Boeings.

A Ryanair irá colocar o maior MAX 200 exatamente nas rotas de maior densidade, como qualquer empresa faz com um avião de maior capacidade. Caso ela mantenha o planejamento atual de apenas decidir a malha no dia anterior, teria que comercializar todos os voos com capacidade máxima de 189 passageiros, perdendo receita em potencial. O motivo disso seria evitar o excesso overbooking, que é uma prática permitida no mundo inteiro, mas que tem que ser usada com responsabilidade para não incorrer em punições dos orgãos reguladores.

Normalmente as empresas vendem até três ou cinco passagens a mais do que a capacidade do avião, já que esta é a média de passageiros que não aparecem para o voo, valendo assim o risco da venda extra.

Porém um voo com oito passageiros de overbooking (caso seja vendido com o 737 MAX e no planejamento noturno de última hora mude para o 737-800) é um gasto significante para a empresa: a multa vai de €250 a €600 euros por passageiro segundo a lei europeia. Neste caso, seriam até €4800 euros. A única redução na punição é de 50% do valor caso a companhia realoque o passageiro num voo até quatro horas depois do horário original de partida.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

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