Início Empresas Aéreas Ryanair x TAP: novo capítulo do embate envolve 700 voos cancelados

Ryanair x TAP: novo capítulo do embate envolve 700 voos cancelados

Depois de alfinetar a TAP, Ryanair volta a acusar companhia portuguesa de concorrência desleal.

Ryanair
Boeing 737-800 da Ryanair – Imagem: Anna Zvereva, CC BY-SA 2.0, via Flickr

Há um bom tempo a low-cost irlandesa Ryanair investe muito nos voos para Portugal, mas segundo a empresa, a TAP, que tem como hub o Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, está impedindo a expansão de suas operações.

Em agosto, a irlandesa tinha acusado a TAP de acumular os slots (direitos de pouso e decolagem) e desbloqueá-los semanalmente, impedindo o crescimento das companhias adversárias no Aeroporto de Lisboa, também conhecido como Aeroporto da Portela, o seu centro de operações.

Dessa vez, a Ryanair alega que foi forçada a cancelar cerca de 700 voos e três rotas partindo da capital portuguesa.

“Este ‘bloqueio de slots’ anti competitivo impediu a Ryanair de obter slots suficientes (apesar da assistência do coordenador de slots e do operador do aeroporto) para o crescimento de novas rotas planejadas. A redução de 20% da frota no plano da TAP significa que esta simplesmente não irá usar todos os slots que possui”, acusa a irlandesa.

A empresa aérea também ressalta que esse cancelamento de voos irá prejudicar a conectividade de Lisboa e a recuperação pós-pandemia.

Em nota em seu site, o Grupo Ryanair diz que é essencial que a infraestrutura nacional crítica de Portugal seja usada para o bem da economia local e não para exceder a proteção de uma companhia aérea, propondo a libertação dessa capacidade bloqueada pela TAP e também a abertura do Aeroporto do Montijo, que já é um projeto de muito tempo do Governo Português e tem sua abertura prevista para 2022 para auxiliar no tráfego de Lisboa e beneficiar o centro-sul português.

Vale ressaltar que mesmo com toda essa briga e voos cancelados, a irlandesa irá manter suas sete aeronaves e tripulação em Lisboa durante o inverno europeu, na expectativa da liberação dos slots bloqueados pela TAP.

O CEO do Grupo Ryanair, Michael O’Leary, disse:

“Lamentamos profundamente essas interrupções desnecessárias para os passageiros desses voos e rotas cancelados, causados pelo bloqueio da TAP de slots que não estão sendo usados. Este bloqueio anti competitivo de slots impede o crescimento das companhias aéreas e a recuperação do tráfego, do turismo e do emprego no Aeroporto da Portela em Lisboa, em detrimento dos consumidores portugueses.

“A Ryanair continua empenhada em trabalhar com os nossos parceiros no aeroporto de Lisboa, para apoiar a recuperação do turismo em Portugal e reconstruir a conectividade após a pandemia da Covid. Apelamos agora ao Governo Português e à Comissão Europeia para que intervenham no sentido de libertar estes slots não utilizados no Aeroporto da Portela e na abertura urgente do Aeroporto do Montijo em Lisboa.”