Início Indústria Aeronáutica Segundo analistas, China não recertificará o Boeing 737 MAX tão cedo

Segundo analistas, China não recertificará o Boeing 737 MAX tão cedo

Tendo sido o primeiro país a aterrar os 737 MAX em março de 2019, após dois acidentes fatais, a China, segundo especialistas, não irá tirar a suspensão dos jatos tão cedo.

Imagem: Anna Zvereva de Tallinn / CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

Com as relações comerciais estremecidas entre a China e os Estados Unidos, e sem uma projeção de melhora, espera-se que os Boeings 737 MAX não voltem tão cedo para compor o gigante mercado aéreo chinês, disseram alguns analistas.

Segundo Shi Yinyong, professor de relações internacionais na Universidade Renmin e um assessor do Conselho de Estado, algumas grandes empresas estão certamente ansiosas para manter seus negócios na China ou até mesmo expandir o mercado, mas, no momento, essas empresas só podem desempenhar um papel pequeno na política dos EUA.

“O comércio da Boeing com a China não se expandirá mais significativamente e será uma bênção para eles serem capazes de manter o status quo.”

Segundo relata o SCMP News, em uma ligação com analistas, o presidente-executivo da Boeing, Dave Calhoun, disse que se espera a retirada da suspensão dos MAX até o segundo semestre de 2021 e, ainda fez um apelo ao governo dos Estados Unidos, pedindo uma estabilização entre as relações comerciais no setor aeroespacial, que, segundo ele, na próxima década representá 25% do crescimento global da indústria de aviação.

O presidente-executivo ainda completa: “Estamos agora em uma fase em que o foco está na recuperação econômica aqui nos Estados Unidos por parte do governo, além de firmar um pouco mais os pés no que diz respeito às relações com a China. É hora de apontarmos as implicações econômicas do comércio com a China na indústria aeroespacial e, especificamente, na aviação comercial. Você sabe, eles são significativos.” 

Em abril, o jornal Global Times relatou que a companhia aérea privada, Xiamen Airlines, estava fazendo modificações em seus 737 MAX para o retorno, logo após a publicação das novas diretrizes da Boeing. Porém, alegou em seguida que, apesar das modificações, não teriam um cronograma para o retorno e que só o órgão responsável do país, a CAAC, teria a palavra final.

O consultor Shukor Yusof, fundador da consultora de aviação Endau Analytics, comentou que o preço das ações da Boeing podem estar mostrando força, mas que a empresa enfrenta desafios críticos. Ele ainda diz que a recuperação depende de o MAX voar com segurança novamente, sem mais problemas técnicos, e reforça que a Boeing precisa criar uma nova aeronave que corresponda ao A321XLR, fabricado pela sua maior concorrente, a Airbus.

A China, o MAX e o C919

No começo de março, já havíamos publicado aqui no Aeroin a preocupação da Administração de Aviação Civil da China (CAAC), órgão que regulamenta e supervisiona os voos civis no país, quanto à segurança operacional dos Boeings 737 MAX.

Na época, em uma coletiva de imprensa em Pequim, Dong Zhiyi, vice-chefe da CAAC, ressaltou que as autoridades do país mantém uma comunicação constante com a americana Boeing e também com a Administração Federal de Aviação (FAA), órgão responsável pelos regulamentos da aviação civil nos Estados Unidos. Tal contato diz respeito às “principais preocupações de segurança” do modelo 737 MAX, indicando que o país ainda não está pronto para liberar as aeronaves.

Paralelamente às más relações dos Estados Unidos e a China, mais as preocupações da CAAC com os Boeings 737 MAX, o projeto do novo jato da Commercial Aircraft Corporation of China (COMAC), o C919, está em fase final e poderia ser certificado até o final do ano, bem como já ter entregues os primeiros pedidos de sua primeira cliente, a China Eastern Airlines.

Assim, torna-se inevitável a associação entre o fato de o 737 MAX ainda não ter ganhado sua liberação de aeronavegabilidade na China e o C919 avançar rápido em seu processo de certificação, colocando em dúvida se o governo está ou não atrasando o jato da Boeing para interferir de forma estratégica no sucesso da nova aeronave chinesa.

Leia mais sobre o 737 MAX na China e o COMAC C919:

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