Mesmo sem aviões, esta companhia aérea rodou o mundo durante a Pandemia

Você provavelmente nunca ouviu falar desta companhia aérea, que não tem aviões, mas voou como nunca durante a Pandemia do Coronavírus.

© JetTest

Uma companhia aérea sem avião pode parecer estranho, e não se trata aqui de uma empresa aérea virtual daquelas que terceirizam toda a sua operação, como fazem a Amazon e o Mercado Livre, por exemplo. Mesmo assim, o trabalho desta companhia é tão essencial quanto de qualquer outra.

Estamos falando da Jet Test and Transport, empresa especializada em translados de aeronaves. Isso mesmo, você não pensou errado: ela voa apenas aviões vazios, e que não são dela!

Empresas aéreas assim são poucas, mas se tornaram cada vez mais essenciais durante a Pandemia, mas até antes dela já ganhavam relevância. Muitas das vezes, elas trabalham para os lessores, que são os reais donos dos aviões e que os alugam para as companhias que você voa.

O trabalho da Jet Test foca muito na devolução de aeronaves. Um exemplo bem próximo foi na Avianca Brasil, que por falta de pagamento começou a ter as aeronaves retomadas pelos lessores, e quem tirava estes aviões do Brasil não eram os pilotos brasileiros da Avianca, e sim de empresas como a Jet Test.

Nos últimos meses, com o fechamento de fronteiras e restrições de encontros sociais, as empresas aéreas viram a sua demanda cair em até 90% dependendo do caso. E para se manterem vivas, precisaram cortar custos: fecharam rotas, demitiram funcionários e devolveram aeronaves.

E foi aí que a Jet Test cresceu. A empresa, apesar de parecer simplesmente um grupo de pilotos que voa aviões vazios, vai muito além: tem seu registro próprio de Operador Aéreo nas Bermudas com a mesma estrutura exigida para uma empresa de transporte aéreo regular, incluindo o seu código ICAO, que é o JTN.

Quem conta os detalhes é o co-fundador da empresa, Steve Giordano, em recente entrevista à CNN Travel. “Quando o avião é devolvido por uma empresa, nós transportamos ele para o próximo cliente, para estocagem ou manutenção”, afirma o executivo, que também é piloto.

Levando aviões da LATAM e outros grandes

Em novembro, por exemplo, Giordano levou um Boeing 737-300 cargueiro da YT Airlines do Camboja para a República Democrática do Congo, e depois foi de Mumbai para o Mississippi levando um gigante 777-300ER da finada Jet Airways. Recentemente, ele também levou um 767 da LATAM Cargo para manutenção nos Emirados Árabes Unidos.

Por lidar com todo tipo de empresa aérea, lessor e aeronave, Steve tem habilitações para 10 aviões diferentes, número similar de seus parceiros no negócio. Pilotos contratados têm, no mínimo, qualificação para voar cinco aviões distintos.

No seu Instagram, Giordano compartilha diversas fotos de suas aventuras pelo mundo, voando todo tipo de avião, incluindo Airbus A321, Bombardier Q200 (Dash 8 200), Boeing 757 e 767.

Um deles inclui o Boeing 767 da extinta LAN Argentina, que foi convertido para cargueiro para voar pela LATAM Cargo com a matrícula N540LA. O Boeing foi convertido em Taiwan e levado por ele e sua equipe para a base da LATAM de Miami.

Voos de teste

Outro trabalho interessante da Jet Test são os voos de teste, como está no nome da empresa. Estes são feitos após manutenções da aeronave, mas também em devolução ou antes da entrega, para garantir que tudo está de acordo com os contratos.

Realmente é um trabalho sem rotina, que também exige muito tempo para manter as carteiras válidas de tantos aviões diferentes, assim como manter os estudos para garantir a proficiência, já que não se voa muito a mesma aeronave.

Por outro lado, é muito desafiador e exclusivo poder voar o mundo em aviões diferentes e locais distintos a cada voo, sendo o sonho de muitos pilotos pelo mundo.

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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