Sem encomendas, Embraer adia novamente início da operação do jato E175-E2

O menor dos novos jatos E2 da brasileira Embraer teve sua previsão de estreia mundial adiada novamente e continua sem ter onde fazer o primeiro voo comercial.

Divulgação – Embraer

O E175-E2 é o sucessor do E175-E1, o jato comercial feito no Brasil mais vendido da história com mais de 790 unidades adquiridas, principalmente por clientes nos Estados Unidos. No entanto, o novo membro da família enfrenta dificuldades para chegar ao sucesso do seu antecessor – e o que impede isto é exatamente o que ele tem de novo.

Os novos motores, asas e estruturas, que diferenciam o E-Jet de primeira geração para o de segunda, fizeram com que ele ficasse mais pesado, ainda que seja 30% mais eficiente. Este peso a mais extrapola a chamada “cláusula de escopo” do sindicato dos pilotos dos EUA, que limita por peso as aeronaves que podem ser operadas pelas empresas aéreas regionais, que são terceirizadas e pagam um salário menor.

Desde o início do projeto, a Embraer sabia que o E175-E2 não entraria no peso “ideal”, mas sempre apostou num relaxamento da regra do sindicato americano, entendendo que o que interessa não é o peso, e sim quantos passageiros o avião pode levar. Sem os pilotos aceitarem as mudanças até agora, o E175-E2 ficou sem mercado, e todos os compromissos de compra foram cancelados. Some-se a isso o fato de que a pandemia gerou a pior crise da aviação mundial.

Sendo assim, a Embraer, em seu mais recente relatório de investidores, postergou mais uma vez a previsão de entrega da primeira aeronave a um cliente.

Segundo a empresa, “dadas as atuais condições do mercado para a aviação comercial como resultado da pandemia da Covid-19, a Embraer postergou por um ano a previsão de início de operação do jato E175-E2, que poderia agora ocorrer em 2024. A Embraer está dando continuidade ao trabalho de certificação da aeronave, que voou pela primeira vez (em testes) em dezembro de 2019, porém com seu cronograma revisado”.

No caso, quando fala de “previsão de início das operações do E175-E2″, a Embraer se refere ao momento em que acha que a aeronave estará certificada e entregue para o primeiro operador”.

Mas nem tudo é ruim. O modelo antecessor continua a nadar de braçada no mercado, sem concorrente, e a Embraer reafirma isso: “a companhia continua oferecendo o E175-E1, a aeronave comercial líder na categoria de 76 assentos e a mais eficiente e confortável do seu segmento”.

São cerca de 130 unidades do modelo de primeira geração em pedidos firmes.

Com informações do Relatório de Investidores da Embraer

Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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