South African Airways vai demitir todos os funcionários e fechar as portas

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EXCLUSIVO – Em um documento obtido com exclusividade, a estatal South African Airways informa que irá demitir todos os seus funcionários até o final do mês e que não vê alternativas senão fechar suas portas.

Airbus A350 South African Airways
O Airbus A350 oi a última aeronave a ser adquirida pela South African

O documento foi obtido de fontes próximas da empresa, e reiterado pelo site sul-africano Mail&Guardian. Nele, a empresa cita que, após o único acionista da empresa (o governo da África do Sul) informar que não faria mais novos investimentos, a empresa não vê mais possibilidade de resgate e irá à falência.

No documento, que você vê abaixo, é citado um acordo entre as partes envolvidas na Recuperação Judicial (a própria aérea, sindicatos e credores), as quais acordaram a demissão de todos os funcionários até o dia 30 deste mês de abril.

Um pacote de indenização será calculado baseado na compensação de uma semana de trabalho de cada ano trabalhado. Ao todo são 4.700 pessoas que fazem parte do quadro de colaboradores da South African. O cálculo da compensação deverá funcionar da seguinte maneira: o funcionário que trabalhou seis anos na empresa e em 2019 recebeu R$ 100 mil reais de salário, receberá como compensação o equivalente a seis semanas de trabalho, ou R$ 1.923,00.

Os valores serão calculados ano a ano e somados para um montante final. Este pacote será a única ajuda que a empresa fornecerá aos ex-funcionários, com excessão das aposentadorias já em vigor.

86 anos de história

A South African Airways não faz voos regulares desde o dia 27 de março, quando o governo sul-africano impôs um forte isolamento ao proibir voos domésticos e internacionais, e até viagens de ônibus. Desde então, a companhia aérea só tem feito voos fretados para a repatriação de passageiros e para levar carga. Inclusive, um dos voos foi a rota Cidade do Cabo – São Paulo, fretado pelo governo brasileiro.

A empresa foi fundada em fevereiro de 1934 e, por praticamente toda sua história de 84 anos, foi a maior e principal empresa aérea da África. Tendo operado diversos jatos icônicos, como o Jumbo Boeing 747 e o DH Comet, a empresa atualmente conta com uma frota de jatos Airbus para passageiros e Boeings para cargueiros.

Desde 2011, a estatal não apresentava lucro e, nos últimos 12 meses, passava por sua pior crise, que levou a colocar à venda alguns jatos Airbus A340 e também suspender os voos para o Brasil antes mesmo da pandemia, após mais de 50 anos voando para nosso país de maneira ininterrupta.

O coronavírus foi apenas o “tiro de misericórdia” na companhia, que antes da crise operava somente a ponte aérea Joanesburgo – Cidade do Cabo, além de voos internacionais para Nova Iorque, Frankfurt, Londres, Perth e Washington D.C.

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Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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