O dia que spotters descobriram um voo secreto do Air Force One de Trump

Em meio à crise após a saída do General Mattis do cargo de Ministro da Defesa, o Presidente dos EUA, Donald J. Trump, fez uma viagem surpresa (e até então secreta) às tropas no Iraque. Seria tudo sigiloso até um spotter apontar sua câmera para o céu.

Spotter no dicionário é definido como uma pessoa que observa algo ou algum movimento. A prática começou na Primeira Guerra Mundial quando civis observavam movimento de aeronaves e veículos militares, reportando ao inimigo a presença das mesmas.

Hoje o termo é mais conhecido por dar nome a dois tipos de pessoas: quem observa (e fotografa) veículos em geral como aviões, trens, navios e ônibus; e o militar que acompanha o atirador de elite, ajudando o mesmo a localizar alvos e fazendo correções de tiro com um monóculo.

Air Force One em visita ao Brasil com o presidente Bill Clinton

E foi dessa maneira que o spotter aeronáutico Alan Meloy acabou com a surpresa do voo de Trump: era a manhã do último dia 26 na cidade de Sheffield, na Inglaterra, quando Alan viu um grande rastro no céu e decidiu fotografá-lo.

Ao tirar a foto percebeu que se tratava de um Boeing 747, mas não um jumbo qualquer. Era o VC-25, o 747 da Força Aérea Americana (USAF) modificado para uso do presidente.

A aeronave é conhecida como Air Force One, ou Força Aérea Um. Mas no momento não utilizava essa identificação no rádio, e sim RCH 358 – Global Reach 358.

O prefixo Global Reach é o padrão utilizado pelos C-17 Globemaster III da USAF que fazem missões de transporte pelo globo. Mesmo antes da foto o RCH 358 tinha sido flagrado no site ADS-B Exchange (similar ao FlightRadar24), mas sem a possibilidade de se concluir que era o VC-25A.

Após a descoberta, o voo de volta foi acompanhado pelo twitter AircraftSpots, que é referência em acompanhar aeronaves por sites como o ADS-B Exchange. O perfil mostrou em tempo real missões militares na Síria e na Líbia.

Como a tecnologia funciona

Já mostramos aqui com a ajuda do Lito do canal Aviões & Músicas como funciona o FlightRadar24 (e também outros como o ADS-B Exchange, RadarBox24 e o FlightAware).

O ponto nessa tecnologia é o transceptor ADS-B. A regra da FAA inclui aviões militares, porém claro neste caso não obriga os mesmos a estarem ativados todo o tempo.

Mesmo assim por vezes e ainda sem muita explicação, o ADS-B é deixado ligado e a aeronave se torna rastreável pelos sites. Não é a primeira vez que o Air Force One é rastreado (e até o F-22 Raptor já foi), porém é a primeira vez que isso ocorre em uma missão sigilosa em uma área de risco.

O próprio Trump relatou em entrevista no Iraque que estava “preocupado com a institucionalidade da presidência, não pela minha pessoa, estava preocupado com a primeira dama. Se você visse o que passamos, com um avião todo escuro com janelas fechadas, sem luzes, totalmente escuro, eu nunca vi isso, já estive em vários aviões de todos os tamanhos, tipos e formas, nunca vi algo assim”.

Trump estava se referindo aos procedimentos da chamada “Descida Tática” onde a aeronave é silenciada, sem luzes, motor ao mínimo e o nariz no máximo ângulo para baixo. Essa manobra é necessária para evitar possíveis ameaças antiaéreas e expor ao mínimo o avião. Confira abaixo a manobra feita em um Boeing C-17 Globemaster III:

Com informações da CNN

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos