Standby: as rotas mais voadas por funcionários de companhias aéreas

EXCLUSIVO – Num balanço inédito, revelamos quais são as rotas que os funcionários das companhias mais voam utilizando seu benefício como passe-livre, standby e outros.

Standby Boeing 747

Antes de partirmos para os dados, vamos explicar como funciona a questão do benefício de passagens nas companhias aéreas para funcionários. Nos dados que obtivemos junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), os passageiros que embarcam utilizando esta modalidade são registrados como “passageiros grátis”, já que não geram receita para as empresas.

Estes passageiros são os chamados “standby” (algo como “modo de espera”, em inglês). Nesta modalidade, quando for um benefício do cargo, o funcionário paga a taxa de embarque do aeroporto e mais um valor simbólico para a companhia aérea que fará o transporte. Há situações em que a companhia não cobra nenhum valor do funcionário ou só cobra de familiares e amigos. Porém, o beneficiário só embarca se tiver vaga, e daí que vem o termo standby.

As Top 5 rotas domésticas

Sendo assim, para este levantamento consideramos apenas os passageiros standby que embarcaram nos voos entre janeiro e novembro deste ano. Acredite, foram emitidas um total de 2 milhões e 240 mil passagens nessa modalidade nesses 11 meses.

Esse é o Top 5 das rotas com volume de passageiros standby, considerando ida e volta. Em seguida, veja as internacionais.

#5 Curitiba – Congonhas, com 44.474 passageiros

Proximidade com São Paulo e tradição na aviação fazem de Curitiba um dos principais destinos dos passageiros da modalidade standby.

#4 Porto Alegre – Congonhas, com 49.202 passageiros

Muitos dizem que essa “ponte” é uma herança da Varig, a empresa pioneira que realizou o primeiro voo comercial do Brasil, no Rio Grande do Sul. Pode ser apenas uma lenda, mas, na aviação brasileira, o charmoso sotaque gaúcho continua forte.

E a rota Porto Alegre – Congonhas prova isso. A alta presença de funcionários gaúchos nas empresas faz com que a rota seja uma das mais disputadas para embarque. Os voos para Guarulhos e Viracopos também têm presença forte e quase entraram no nosso ranking.

#3 Campinas – Belo Horizonte, com 57.922 passageiros

Azul Standby

Ironicamente, uma das rotas mais utilizada pelos standby é um monopólio: apenas a Azul opera voos entre Viracopos (Campinas) e Confins (Belo Horizonte). É exatamente por causa da Azul que a rota transportou quase 58 mil pessoas no período.

O motivo disso é evidente. Viracopos e Confins são as maiores bases da companhia aérea, contando com até 12 voos diários em cada sentido. Há muitos tripulantes que moram em São Paulo, mas pertencem à base de Confins e vice-versa. Além, é claro de toda a conectividade que os hubs oferecem, já que atendem 300 voos diretos por dia, somados.

#2 Congonhas – Brasília, com 62.594 passageiros

Vista aérea do terminal de Brasília. Imagem: Divulgação / Inframerica.

A capital federal conta com hubs e bases de tripulantes da Latam, Gol e contava com um da Avianca Brasil também. Estas empresas têm sua maior base de tripulantes em São Paulo, resultando no mesmo efeito da rota Viracopos – Confins que vimos acima, ou seja, pilotos e comissários ficam no bate-volta constante.

#1 Congonhas – Santos Dumont, com 221.526 passageiros

CGH Standby

A rota mais voada do país também é a mais utilizada pelos beneficiários. Um destaque da rota fica por conta da Gol, que é a preferida dos funcionários com 124 mil passageiros optando pela laranjinha na hora da ponte. Isso faz sentido, já que quase metade dos assentos oferecidos na rota são da empresa laranja, que domina a Ponte Aérea.

Azul é a que mais transporta no doméstico

Standby

A Azul lidera o ranking no acumulado geral de passageiros standby transportados: foram 848 mil no período, ante 792 mil da Gol e 377 mil da Latam. Um dos motivos que contribui para isso é a malha extensa que a Azul possui, com mais de 110, permitindo mais voos diretos.

Rotas internacionais

No internacional, os números referem-se, em sua maioria, às passagens de férias ou viagens de trabalho de funcionários. O ranking está assim:

#5 São Paulo – Buenos Aires, com 9.197 passageiros

Standby

Visitar os “hermanos” e conhecer a capital do nosso maior rival no futebol também é uma opção muito viável e de longe a mais fácil de ir para os standby passengers. Para lá, é possível embarcar com a Aerolíneas Argentinas, Gol, Latam, Qatar, Ethiopian e Turkish Airlines.

#4 Campinas – Lisboa, com 10.062 passageiros

Portugal está logo ali com a Azul. Mesmo com a presença forte da TAP em Guarulhos e também a concorrência da Latam, os números de standby saindo de Viracopos são 54% maiores do que saindo de GRU.

#3 São Paulo – Nova Iorque, com 13.823 passageiros

Avião Boeing 777-300 American Airlines

Esta não pode ser a história de um novo herói com sonho de ir para Nova Iorque, como já dizia a dupla mineira Victor & Leo, mas com certeza é um sonho realizado por diversos funcionários. A “Big Apple” é um dos destinos mais disputados por quem trabalha em uma empresa aérea.

#2 São Paulo – Miami, com 18.276 passageiros

O destino favorito dos brasileiros nos EUA é também o dos funcionários. Contando com diversos voos diários da American Airlines, Latam e, até o começo desse ano, da Avianca Brasil, o clima caribenho da Flórida e os outlets com certeza atraíram muitos funcionários e suas famílias.

#1 Santiago do Chile – São Paulo, com 18.858 passageiros

Operada pela Latam, Gol, Sky e, anteriormente, pela Avianca, a capital chilena se tornou a “queridinha” dos funcionários das empresas. Seja pelos vinhos ou pela neve, Santiago é realmente uma ótima cidade com preços acessíveis.

É funcionário de companhia aérea? Se sim, conte para nós nos comentários qual é a rota que você acha mais difícil de embarcar!

Carlos Martins

Despertou a paixão pela aviação em 1999 em um show da Esquadrilha da Fumaça. Atualmente é Piloto Comercial, Despachante, Bacharel em Ciências Aeronáuticas, membro da AOPA e veterano da Western Michigan University #GoBroncos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.