TAP se diz confiante de que UE aceitará plano de reestruturação, mas a recuperação será dolorosa

Avião A330neo da TAP

Na última terça-feira (23), o CEO da TAP Air Portugal, Antonaldo Neves, declarou ser possível submeter a aprovação da Comissão da União Europeia, um plano para a reestruturação da empresa portuguesa, de modo a evitar que a aérea tenha que reembolsar o governo português pelo aporte de socorro. De acordo com a Reuters, a aérea lusitana está confiante na aprovação do plano pela Comissão Europeia.

No último dia 10 de junho, a Comissão Europeia autorizou o governo português a disponibilizar até 1,2 bilhão de euros à TAP, na forma de linhas de crédito. No entanto, a empresa terá seis meses para repensar sua estrutura.

Neste contexto, o auxílio do governo pode ser concedido por um período máximo de seis meses para que a empresa tenha tempo de encontrar soluções para a crise. Em particular, as autoridades portuguesas dizem que a TAP se comprometeu a reembolsar o valor aportado ou apresentar um robusto plano de reestruturação para garantir sua viabilidade futura. A aposta da empresa é pelo segundo cenário.

Na última semana passada, o secretário de Estado do Tesouro de Portugal, Miguel Cruz, já havia solicitado a aérea a apresentação de um plano estratégico “com celeridade”. O Estado preparou a notificação à Comissão Europeia, no tempo recorde de cerca de três semanas, e compete agora à empresa apresentar o seu plano estratégico, disse o Secretário em audiência da Comissão de Orçamento e Finanças do parlamento português.

Antonoaldo Neves disse a uma comissão parlamentar, que acredita que é possível enviar à Comissão Europeia um plano de reestruturação aceitável, pois acredita que a TAP tem um modelo de negócios viável, reporta a Reuters. “A TAP tem novas aeronaves, uma equipe extraordinária”, acrescentou Neves. “Agora será uma recuperação longa e difícil”.

A TAP tentou retomar algumas de suas operações internacionais no mês passado, a partir do momento em que as medidas de restrição à mobilidade começaram a ser suspensas, mas, devido à baixa demanda, a empresa decidiu dar um passo atrás.

“É muito difícil prever a demanda que teremos nos próximos meses”, disse Neves. “Fizemos um processo no qual realizamos voos e retiramos voos, testando a demanda do mercado”.

Privatizada em 61% em 2015, a TAP viu o Estado português aumentar sua participação para 50% do capital em 2016. O consórcio privado Atlantic Gateway, do empresário brasileiro-americano David Neeleman, e seu parceiro português Humberto Pedrosa, agora detém uma participação de 45%, e os 5% restantes pertencem a funcionários.

Rodnei Diniz
Engenheiro aeronáutico e mecânico, atuante em gestão de manutenção aeronáutica, aviação geral, executiva e comercial. Atento aos detalhes, gosta de ler e escrever sobre a história da aviação.

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