Com demissão e terceirização, funcionários de solo da LATAM Brasil fazem greve

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A LATAM Brasil está mudando seu quadro de funcionários de solo e irá extinguir uma função, o que gerou protestos com uma breve greve em Guarulhos. Um vídeo, compartilhado na internet, mostra um pouco de como ficou o aeroporto nessa semana (espere carregar)

Segundo informações de pessoas próximas à operação e confirmada pela empresa, a função de DOT, Despacho Operacional Técnico, foi extinga e será terceirizada. O DOT exerce as atividades de despacho da aeronave antes do voo, incluindo alterações no carregamento, organização do embarque de cargas e bagagens, restrição referente a carga perigosa, conferência de documentação e etc.

O DOT também complementa o DOV, que é o Despachante Operacional de Voo, uma outra função primordial para uma operação aérea. No caso do DOV, além de ter habilitação da ANAC, ele tem função principal de apoiar na elaboração da rota do avião, fazer o cálculo de combustível, enviar o plano de voo e gerar loadsheet (manifesto de carga, passageiros, combustível, seus pesos, localizações e balanceamento da aeronave).

DOT na pista

Na LATAM, o DOT está no pátio de aeronaves ou próximo dele e, por acompanhar a operação da aeronave, que inclui um nível alto de ruído e proximidade com abastecimento, recebe um adicional de periculosidade junto ao seu salário.

Com a pandemia do coronavírus e para cortar gastos, essa função foi extinta nos grandes aeroportos da Azul, por exemplo, que qualificou outros funcionários para exerce-la, em regime de rotatividade, o que já é comum em bases menores de todas as empresas do país.

Porém, a LATAM extinguiu a função na própria empresa, demitindo os funcionários para contratar terceirizados da WFS – Orbital. A Orbital já tinha assumido em 2018 os serviços de solo como carregamento e limpeza de aeronaves, operação de equipamentos de solo e serviço de bagagem extraviada.

Greve

Com a iminente demissão, diversos funcionários ficaram revoltados e fizeram uma paralisação no Aeroporto Internacional de Guarulhos no final da tarde de ontem (6), começando por volta das 17h e terminando pouco menos de duas horas depois.

Sem o despacho técnico disponível, os aviões não puderam sair e os voos atrasaram, sendo que pelo menos 14 deles tiveram atrasos superiores a uma hora, como mostra o quadro abaixo. No vídeo do início da reportagem é possível ver diversos jatos parados, mas com veículos de solo próximos, dando a entender que eram aeronaves sendo preparadas para a partida, mas que sofreram com a greve.

Diversos atrasos apenas de voos da LATAM entre 17h50 e 19h20 © FlightRadar24

Em GRU seriam em torno de 36 funcionários desligados, que não foram demitidos antes devido a um acordo com o Sindicato Nacional do Aeroviários, que garantiu os empregos enquanto houvesse a redução de jornada e salário, algo que não irá ocorrer em outubro.

Entramos em contato com a LATAM sobre o assunto, e a empresa nos enviou a seguinte nota:

A LATAM Airlines Brasil confirma que, a partir de hoje (7/10), toda a sua operação no aeroporto de Guarulhos (São Paulo) realizada pela equipe de Despachantes Operacionais Terrestres (DOTs) passará a ser realizada pela Orbital – WFS, empresa especialista nesta e em outras modalidades de serviços aeroportuários. Esta ação da empresa de terceirizar esses serviços junto a Orbital já vinha sendo implementada desde setembro de 2018. A Orbital foi contratada e assumiu toda a operação da LATAM de rampa e limpeza (ground handling), gestão de equipamentos de solo (GSE) e atendimento a clientes com bagagens perdidas ou danificadas (Lost Luggage).

Portanto, trata-se de uma iniciativa de terceirização destas operações que está seguindo todos os parâmetros Legais.

A LATAM ressalta que não procedem as suposições de risco à segurança operacional em Guarulhos. As aeronaves da companhia seguem sendo carregadas corretamente de acordo com todos os protocolos exigidos para essa operação e a segurança segue sendo um valor inegociável para a companhia. A LATAM e a Orbital trabalham de forma coordenada nessa transição, assim como fizeram em movimentos anteriores, para assegurar uma gestão integrada dos processos e a manutenção dos altos índices de eficiência e segurança das suas operações em Guarulhos.

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Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A

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