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Testamos o primeiro Embraer para o novo Flight Simulator

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O novo Flight Simulator finalmente tem um avião brasileiro: o Embraer Bandeirante, que também é a primeira aeronave da fabricante brasileira no simulador.

Chamado de Bandit no exterior, o E110 Bandeirante avião foi o primeiro a ser feito em série pela Embraer e foi responsável pelo surgimento da empresa. É um turboélice regional que leva até 18 passageiros e tornou-se muito querido no Brasil por ser utilizado nos rincões do país, seja pela Força Aérea Brasileira ou por companhias aéreas, como a Transbrasil, que foi a primeira a voar o avião da Embraer no Brasil.

Assim sendo, foi com a pintura dela que fizemos o nosso primeiro voo no Flight Simulator com essa máquina que faz parte da história do Brasil. Ela é desenvolvida pela NextGen Simulations, conhecida por ter anteriormente feito um Cessna Citation CJ4 para o Prepar3D, versão evoluída do Flight Simulator X feita pela Lockheed Martin.

De volta ao simulador da Microsoft, fizemos um rápido voo visual no Rio de Janeiro, decolando do Aeroporto Santos Dumont para pouso em Jacarepaguá. A aeronave chama atenção pelo nível de detalhes, com um cockpit bem feito, que conta inclusive com um tablet interativo.

Neste tablet é possível controlar a abertura da porta (algo que o Flight Simulator não tem nativo ainda), colocar cones em volta da aeronave, calços nas rodas e também cobrir as partes importantes, como motor e tubo de pitot, ação feita para evitar a entrada de sujeira e bichos.

O acionamento é simples e parece ser bem fiel à aeronave (nunca pilotei um Bandeirante na vida real, mas conheço relativamente bem o avião). E o barulho da partida, e do próprio motor turboélice, um clássico PT-6 da Pratt & Whitney, também é muito fiel.

Mas, a partir daí, nasce um ponto que não gostei no Bandit da NextGen. O som do motor em todas as fases, incluindo do reverso, é de um avião a hélice bem comum, bem distante do PT-6 de qualquer aeronave, sendo bem incômodo, como se nota no vídeo abaixo:

Deixando para trás esta questão do motor, e passando aos aviônicos da cabine, destaca-se o combo clássico de GPS da Garmin, o GNS530 e o menor GNS430, que são presentes em dezenas de aviões da aviação geral e de pequeno porte.

Ao lado dos GPS está outro clássico, um radar meteorológico RDR2000 da Bendix King, mas que ainda não está operacional. Nos “reloginhos”, que são os instrumentos analógicos, temos um ADF, um HSI e o clássico velocímetro do Bandeirante, onde o “0” é na parte de baixo do instrumento, não na de cima como é na maioria dos aviões.

O manche clássico com os dizeres Bandeirante e a gaivota da Embraer estampados é um charme à parte, e dá uma sensação de que estamos voando um avião bem familiar.

Na pista para decolagem do Santos Dumont, a aeronave se comporta bem e é dócil, relato que condiz com pilotos do E110 que eu conversei tempos atrás. A performance é bem condizente e a iluminação pelas seis janelas clássicas do Bandeirante dá um outro tom ao voo.

Sobrevoar o Rio de Janeiro, que ainda carece de detalhes no novo Flight Simulator, foi bem tranquilo e traz um ar de nostalgia. Na hora de testar o piloto automático, que tem sua unidade de controle abaixo do controle de potência, algo também bem característico do E110, não tive dificuldade.

Apesar de simples, é bem funcional e responsivo, podendo ser acoplado o modo automático que segue a rota programa no Garmin ou pela proa colocada no HSI. Também é possível controlar a atitude da aeronave pela velocidade e colocar uma altitude de nivelamento, sendo que as mudanças de altitude são sempre na razão de 1.000 pés por minuto, para cima ou para baixo.

A aeronave, assim como a real, não conta com controle de potência automático, algo que só seria implementado pela Embraer mais tarde nos jatos E-Jets (E170/175/190/E195), mas que não traz dificuldade a mais para quem já está acostumado a fazer os ajustes de potência “na mão”.

Seguindo para o pouso, é possível sentir os efeitos do aumento da sustentação causados pela extensão dos flapes de maneira suave, ao contrário das aeronaves que já vêm no simulador, que ganham sustentação exagerada quando os flapes são baixados.

A aproximação é tranquila, com nariz apontado um pouco para baixo como esperado. Apesar de eu ter feito um pouso longo, não tive dificuldade de parar após acionar o reverso e aplicar um pouco de freio na pista de 900 metros da Barra da Tijuca, habitat natural do Bandeirante.

No geral o avião é adorável, recomendado para quem não dispensa um voo visual e é amante da história da Embraer. O preço de 29 euros (R$ 200) assusta um pouco, já que a aeronave não é tão detalhada para tal faixa de preço, mas vale a pena se você gosta do Bandeirante.

Versão cargueira

São inclusos, além do Embraer E110P que testamos, a versão P1, que é de conversão rápida de carga para passageiros e vice-versa, e a versão P1K (na Embraer designada como 110K1), que é a completamente cargueira com porta traseira de carga.

As pinturas inclusas são da Transbrasil (na cores que mostramos e também no padrão verde), Cubana de Aviación, TAG Airlines, Atlantic Southeast Airlines, Air New Zealand Link, AIRES Colombia e Loganair (cargueiro). Além disso cada variante possui uma pintura em branco, já prevendo o kit de pintura que será lançado em breve. Você pode adquirir o modelo no simMarket clicando aqui.

Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagem pela Avianca Brasil. #GoBroncos #GoBeach #2A
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