Transferência não comandada de combustível leva FAA a emitir Diretriz aos Boeings 747 e 767

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Avião Boeing 747-400F
Boeing 747-400F

Um evento de transferência não comandada de combustível entre tanques, ou seja, do fluido sendo passado de um tanque para outro do avião sem qualquer comando dado pelos pilotos, levou a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA – Federal Aviation Administration) a emitir uma nova Diretriz de Aeronavegabilidade (AD) voltada às famílias Boeing 747 e 767.

Uma Diretriz (também chamada de Diretiva) de Aeronavegabilidade é uma instrução de inspeção e/ou de intervenção de cumprimento obrigatório quando aplicável à aeronave, para correção de alguma não conformidade descoberta e que seja considerada importante o suficiente para limitar a aeronavegabilidade, ou seja, limitar a capacidade de voar de forma segura.

Segundo a FAA, a nova AD de número 2021-06-10 passa a vigorar a partir do dia 28 de abril de 2021, e foi adotada “após relato de uma transferência de combustível não comandada entre os tanques de combustível principal e central”, que foi causada por liberação da aeronave para voar com válvula de corte de abastecimento (fueling shut-off valve ou refuel valve) travada na posição “aberta”.

A liberação para o voo foi dada via despacho da Lista Mestra de Equipamentos Mínimos (MMEL), ou seja, era previsto pelo fabricante da aeronave que era possível a realização de um voo seguro mesmo com a condição de alguma válvula permanentemente aberta.

Tal liberação, entretanto, permitiu que a transferência de combustível não comanda entre os tanques ocorresse, e esta condição pode resultar em um evento de esvaziamento de combustível, segundo a FAA. Como consequência, a AD tem o objetivo de proibir a operação de um avião com qualquer válvula de reabastecimento inoperante após falha na posição aberta.

A Diretriz é destinada às séries 747-100, -100B, -100B SUD, -200B, -200C, -200F, -300, -400, -400D, -400F, 747SR, 747SP, -8F, e -8 do Jumbo da Boeing, além dos 767 séries -200, -300, -300F, -400ER, e -2C.

A estimativa da FAA é de que cerca de 700 aviões estejam inclusos na aplicabilidade somente na frota registrada nos Estados Unidos.

Boeing 767-300F

Murilo Bassetohttp://www.aeroin.net
Formado em Engenharia Mecânica e Pós-Graduando em Engenharia de Manutenção Aeronáutica, possui mais de 6 anos de experiência na área controle técnico de manutenção aeronáutica.

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