Três grandes companhias aéreas tiveram lucro em meio à Covid; esse é o motivo

ENQUANTO O MERCADO da aviação amarga perdas duras nos últimos meses dada a queda drástica da demanda, três grandes empresas aéreas com uma larga rede de voos intercontinentais de passageiros se destacam em meio ao caos. A chave para que elas não se perdessem em meio a um mar de números negativos foi a diversificação das operações e uma gestão que tomou rápidas decisões em linha com as regras trabalhistas de seus países.

Duas dessas empresas estão na Coreia do Sul. Tanto a Korean Air quanto a Asiana Airlines reportaram lucros no segundo trimestre do ano, da ordem de US$ 125 milhões e $ 96 milhões, respectivamente, e em meio a quedas de quase 45% na demanda por passagens aéreas. Mais a oeste no mapa, uma aérea africana também se saiu bem: a Bloomberg informou que a Ethiopian Airlines cobriu os custos e obteve um pequeno lucro no ano fiscal que durou até julho.

O “segredo” dessas empresas está no fato de terem colocado a maior parte do time em licença não-remunerada rapidamente, dadas as leis trabalhistas permitirem. Korean Air e Asiana colocaram mais de 70% da equipe de licença, por exemplo. Elas, além disso, também estabelecerem uma cadeia abrangente de voos de carga, inclusive usando aeronaves de passageiros.

A Ethiopian, por exemplo, fez inúmeros voos de carga de e para a China, levando medicamentos e equipamentos aos quatro cantos mundo, fechando pacotes de fretamento com governos e empresas, numa demanda por carga aérea que praticamente dobrou para a maior empresa aérea da África, num momento em que a maioria da frota comercial de passageiros ficava no solo mundo afora.

Segundo o CEO, Tewolde Gebre-Mariam à Bloomberg, “podemos não ser tão lucrativos como esperávamos, mas registramos algum lucro. O negócio de carga tem ido muito bem”.

Mas é óbvio que nem todos os mercados são iguais e que, mesmo com ações semelhantes, outras empresas do mundo tenham tido largos prejuízos.

A legislação trabalhista é um componente muito importante num momento de caos como esse. No Brasil, por exemplo, a licença não-remunerada precisa acontecer por adesão e não por imposição. A alternativa seriam as demissões, que aconteceram, mas que demoraram, já que elas precisam ser cirurgicamente calculadas a fim de não se tornarem um remédio pior do que o veneno para a empresa, pois, caso a demanda demonstre sinais de melhora, ela precisa de pessoas e contratar é demorado e caro.

O fato é que, sozinha, a carga aérea não seria suficiente para reverter as perdas em ganhos, mesmo com os preços recordes do frete em meio à pandemia. O que contou mesmo foi a rapidez com que essas companhias se adaptaram e asseguraram o cumprimento das regras e legislações a que são submetidas. E, nesse quesito, Ethiopian, Korean Air e Asiana se saíram muito bem.

Carlos Ferreira
Managing Director - MBA em Finanças pela FGV-SP, estudioso de temas relacionados com a aviação e marketing aeronáutico há duas décadas. Grande vivência internacional e larga experiência em Data Analytics.

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