Fim de uma história: último Embraer da família ERJ-135/145 é entregue

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Ontem foi entregue o último jato Embraer da família ERJ135/145, marcando o fim da história do avião que pavimentou a estrada para transformar a fabricante brasileira numa gigante global.

E145

O jato de matrícula alemã D-ANCE decolou ontem de Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, para Recife, de onde seguirá para a Europa, seu destino final. Este avião tem o número de série 01240 e pertence ao táxi-aéreo Air Hamburg, da Alemanha, que opera com 18 jatos Legacy na sua frota.

Poderia ser apenas mais uma entrega recorrente, mas, na verdade, tratou-se do fim de uma era para a fabricante brasileira.

O Legacy 600/650 é a versão executiva do E135. Juntamente com o E140 e E145, formam a família ERJ, que foi o primeiro produto da Embraer após a privatização em 1994.

O primeiro avião decolou em 1995, da versão E145, sendo a primeira unidade entregue em 1996 para a americana ExpressJet, operando em nome da Continental Express.

E foi nos EUA que o jato teve o seu maior sucesso, dominando o mercado regional com mais de 600 unidades no país, fazendo frente ao canadense Bombardier CRJ-200, que era a versão comercial do jato executivo Challenger 600.

Embraer R-99A (AEW&C) lidera taxia, seguido pelo R-99B © FAB

Foram ao todo mais de 1.200 unidades da família fabricadas, dentre as versões executiva do Legacy, as comerciais e também variantes militares, como a E-99 AEW&C que a Força Aérea Brasileira utiliza como radar aéreo de alerta antecipado e a versão R-99B, com radares de solo.

No Brasil, além da FAB e da Polícia Federal (que inclusive voa com um dos primeiros fabricados, o PR-PFN, segundo avião da série), companhias aéreas nacionais optaram pelo jato, o primeiro brasileiro a voar na aviação civil nacional.

A mais notória foi delas foi a Rio-Sul, que operou um total de 15 jatos E145 segundo dados do portal Aeromuseu. Outra companhia aérea a operar o jato foi a Passaredo, sendo 14 unidades da versão E145 e apenas uma do E135, porém o jato brasileiro ficou na frota da regional paulista por um curto período de tempo.

Embraer E145 da PF, de matrícula PR-DPF, ex-Rio Sul © PF

De operadores privados no Brasil, se destacam a Companhia Vale do Rio Doce, que utiliza o jato para transporte de funcionários, principalmente entre Carajás, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

O governador de São Paulo, João Dória, também contava com um Legacy 600, no qual copiou a pintura da British Airways, embora o avião tenha sido vendido no início deste ano.

Com o fim da linha de montagem do E145/Legacy 600, a Embraer no Brasil continua fabricando os jatos executivos Praetor 600 (antigo Legacy 450/500) e os comerciais E-Jets de 1º e 2º geração (E1 e E2).

A família de jatos leves executivos Phenom foi transferida para Melbourne, nos EUA fazem alguns anos.

E145 da American Eagle © Envoy Air

ERRATA: cometemos um erro na matéria, onde mencionamos que o Legacy 650 era um derivado do ERJ145. Na realidade, ele deriva do ERJ135. Pedimos desculpas e reforçamos o momento histórico da entrega dessa última aeronave de uma das mais emblemáticas famílias da Embraer.

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Carlos Martins
Fascinado por aviões desde 1999, se formou em Aeronáutica estudando na Cal State Long Beach e Western Michigan University. Atualmente é Editor-Chefe no AEROIN, Piloto de Avião, membro da AOPA, com passagens pela Avianca Brasil e Azul Linhas Aéreas. #GoBroncos #GoBeach #2A

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